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A esperança face à ameaça de extinção. Nasceu um chimpanzé numa reserva na Guiné-Conacri

Natacha Pisarenko

Os chimpanzés de Bossou estão ameaçados de extinção.

A Reserva Bossou na Guiné-Conacri anunciou esta quinta-feira o nascimento de um chimpanzé bebé, o que acontece pela primeira vez em vários anos, significando uma esperança face à ameaça de extinção desta espécie neste local natural único.

Guias da reserva observaram na semana passada que Fanle, uma das fêmeas, estava a segurar um pequeno bebé na barriga, disse à agência France-Presse o diretor do Instituto de Investigação Ambiental de Bossou, Aly Gaspard Soumah.

"Há três dias, quando eles estavam nas árvores, conseguimos confirmar o sexo [do chimpanzé] com binóculos, é uma fêmea", afirmou.

E acrescentou: "Fanle deixou que os guias encarregados de monitorizar a população se aproximassem devido à relação entre os macacos e os humanos que dá a Bossou o seu caráter excecional".

"Os chimpanzés vivem na natureza, mas há gerações que partilham o território e o recurso com os humanos. Estes últimos veem-nos como a reencarnação dos seus antepassados e protegem-nos da destruição", adiantou.

Bossou faz parte de uma reserva incluída na Lista do Património Mundial da UNESCO

Esta reserva é também um dos primeiros lugares onde foi cientificamente estabelecido que os chimpanzés utilizavam ferramentas, pedras que fazem de martelos e bigornas para partir nozes de palma.

Bossou faz parte da Reserva do Monte Nimba, que atravessa a fronteira entre a Costa do Marfim e a Guiné e está incluída na Lista do Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), devido à originalidade e diversidade da sua flora e fauna.

No entanto, os chimpanzés de Bossou estão ameaçados de extinção. Embora haja mais chimpanzés em outros locais da reserva, em Bossou havia apenas sete: três machos e quatro fêmeas, três dos quais estão na casa dos 60 anos e já não conseguem reproduzir-se.

Apenas Fanle, na casa dos 30 anos, ainda é fértil.

Atividade humana afeta esta espécie

Até 2003, o grupo era relativamente estável, com cerca de 21 indivíduos, mas em 2003 perdeu sete elementos devido à gripe, segundo Aly Gaspard Soumah.

A atividade humana também afeta esta espécie. A população local vive tradicionalmente da agricultura, do corte e das queimadas, o que conduziu à desflorestação em redor dos 320 hectares de floresta de Bossou, impedindo assim o contacto entre estes chimpanzés e os que vivem nas encostas do Monte Nimba.

A cria ainda não tem um nome, mas Aly Gaspard Soumah revelou que "os notáveis, as autoridades locais e os parceiros" com quem a reserva trabalha vão ser convidados a batizarem o seu mais novo elemento.