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Acusação pede penas de cinco anos até prisão perpértua para acusados de atentados em França

(Arquivo)

Gonzalo Fuentes

Catorze réus do julgamento dos ataques de janeiro de 2015.

A acusação antiterrorista francesa pediu esta terça-feira sentenças que variam de cinco anos de prisão e prisão perpétua para os 14 réus do julgamento dos ataques de janeiro de 2015 contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado judeu.

As sentenças mais pesadas, nomeadamente a prisão perpétua, foram exigidas para Mohamed Belhoucine, julgado à revelia por "cumplicidade" em crimes terroristas e dado como morto na Síria, e para o franco-turco Ali Riza Polat, apresentado como o "braço direito" de Amedy Coulibaly.

Polat, 30 anos na altura dos factos, "ocupou ao longo de todo o processo um lugar particular", sublinhou um dos advogados, Jean-Michel Bourlès, ao descrever o acusado como "impulsivo, intolerante à frustração" e "intolerante à contradição".

Ali Riza Polat "conhecia, indubitavelmente, a proximidade de Coulibaly com a ideologia 'jihadista'", considerou Bourlès.

"Mesmo que o conteste", tinha "um conhecimento preciso do projeto terrorista", acrescentou o magistrado, frisando que o arguido tinha convivido com "todos os protagonistas" do caso e aparecido em todas as fases de preparação dos ataques.

A acusação exigiu 30 anos de prisão, com um período de segurança de dois terços, contra Hayat Boumeddiene, ex-companheiro de Amedy Coulibaly, julgada na sua ausência, por não ter sido encontrada depois da fuga para a Síria alguns dias antes do atentado.

Esta figura da 'jihad' feminina francesa "teve um papel importante na preparação dos crimes cometidos pelo marido", defendeu outra advogada, Julie Holveck, insistindo na radicalização da jovem.

"Ela fez as suas escolhas em consciência", acrescentou a magistrada.

Penas pesadas foram igualmente pedidas para os outros 11 acusados, julgados pelo alegado apoio logístico aos irmãos Cherif e Saïd Kouachi, os atacantes do Charlie Hebdo que acabaram mortos pelas forças da ordem e Amedy Coulibaly, autores dos ataques que fizeram 17 mortes e provocaram uma onda de choque mundial.

Vinte anos foram ainda pedidos para Nezar Mickael Pastor Alwatik, descrito como radicalizado, e 17 anos e 13 anos para Amar Ramdani e Saïd Makhlouf, acusados de terem fornecido as armas ao atacante do Hyper Cacher.

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    Opinião

    Despir a camisola aquando da celebração de um golo é proibido pelas leis de jogo. Penso que toda a gente sabe disso. Aliás, basta apenas que um qualquer jogador cubra a cabeça usando essa peça de equipamento para ser sancionado.

    Duarte Gomes