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Hong Kong detém oito ex-deputados e ativistas por participação em protestos de 1 de julho

Antigo deputado de Hong Kong Wu Chi-wai

Vincent Yu / AP

Numa manifestação não autorizada contra a controversa lei da segurança nacional.

A polícia de Hong Kong deteve hoje oito ex-deputados e ativistas pró-democracia pela organização e participação numa manifestação não autorizada contra a controversa lei da segurança nacional, em 01 de julho.

Os antigos deputados pró-democracia Wu Chi-wai, Eddie Chu e Leung Kwok Hung foram detidos em casa por acusações relacionadas com a organização e participação no protesto, de acordo com mensagens publicadas nas suas páginas na rede social Facebook.

A polícia de Hong Kong informou, em comunicado, que deteve oito homens com idades compreendidas entre os 24 e os 64 anos por incitarem, organizarem e participarem numa assembleia não autorizada.

As detenções, que incluem ainda o ativista Tsang Kin-shing, de 64 anos, e os conselheiros distritais Andy Choi e Lancelot Chan, estão relacionadas com a participação numa manifestação em 01 de julho, proibida pelas autoridades.

Tradicionalmente, é realizada uma marcha todos os anos nesse dia, data em que a soberania sobre Hong Kong foi tranferida do Reino Unido para a China, em 1997. O protesto deste ano foi proibido, com as autoridades a citarem riscos para a saúde, decorrentes da pandemia de covid-19.

Milhares de pessoas desafiaram a proibição das autoridades para assinalar a efémeride, em protesto contra a lei de segurança nacional imposta por Pequim, que entrara em vigor no dia anterior.

As detenções de hoje seguem-se às de mais oito pessoas, na segunda-feira, acusadas de participar num protesto na universidade, em 19 de novembro.

Três das pessoas detidas na segunda-feira são suspeitas de violar a lei de segurança nacional, ao "incitar à secessão".

No final de junho, a China impôs uma lei da segurança nacional à região semiautónoma para punir atividades subversivas, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras com penas que podem ir até à prisão perpétua.

O diploma foi denunciado pelos Estados Unidos, UE e organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, por considerarem que põe em causa a autonomia do território e ameaça as liberdades fundamentais, ao abrigo do princípio "um país, dois sistemas".

Desde a entrada em vigor, em 30 de junho, têm sido realizadas numerosas rusgas policiais e detenções de ativistas, forçando muitos a exilar-se, para evitar represálias por atividades que podem constituir um crime ao abrigo da nova legislação.

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