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Mike Pompeo avisa que não haverá tratamento diferenciado para Hong Kong

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O secretário de Estado norte-americano afirma que a ex-colónia britânica não é "nada mais que outra cidade governada pelo comunismo chinês".

O secretário de Estado Mike Pompeo advertiu na terça-feira as empresas norte-americanas sobre os riscos de fazer negócios na China e também em Hong Kong, uma região à qual Washington não irá fornecer qualquer tratamento especial.

"Hong Kong era um local especial, já não é", defendeu Pompeo em entrevista durante um evento organizado pelo diário The Wall Street Journal, e na qual se referiu à ex-colónia britânica como "nada mais que outra cidade governada pelo comunismo chinês".

Segundo insistiu, "o mundo, a comunidade empresarial, deveriam tratá-la desse modo e o Governo dos Estados Unidos está muito próximo de fazer precisamente isso".

Algumas horas antes, no mesmo fórum, a chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, tinha defendido que o princípio de "um país, dois sistemas", e o respeito dos direitos e liberdades "permanecem muito vivos", com um sistema judicial justo, imparcial, transparente e independente.

"Nada mudou, a única diferença é que não assistimos a essas cenas caóticas, disruptivas para os negócios", considerou.

Na sequência da aprovação da controversa Lei de Segurança Nacional que Pequim impôs em Hong Kong em junho, Washington anunciou em julho que iria pôr termo ao tratamento económico e comercial especial que o seu Governo concedia a Hong Kong.

Para mais, impôs sanções a partir desse período a vários funcionários, incluindo Lam, com um último pacote de medidas anunciadas por Pompeo na segunda-feira.

O secretário de Estado sublinhou que, apesar de o Governo pretender proteger as empresas norte-americanas na China, promover negócios com o país implica riscos importantes e assegurou que, em privado, diversos executivos aí presentes lhe referiram que se sentem "defraudados".

O Governo de Trump impôs duras medidas comerciais contra a China e adotou uma posição política cada vez mais dura face a Pequim, uma tendência que Pompeo considerou irreversível, independentemente de quem ocupar a Casa Branca.