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Número de refugiados etíopes que fugiram para o Sudão passou os 50 mil

Antony Njuguna

Milhares de pessoas, incluindo civis, terão sido mortas nos combates, que ameaçam desestabilizar a região do Corno de África.

As autoridades do Sudão disseram esta sexta-feira que mais de 50 mil refugiados da Etiópia cruzaram a fronteira devido aos combates iniciados no dia 4 de novembro entre o Exército e a Frente de Libertação do Tigray.

"O número total de refugiados que cruzaram a fronteira desde o início da crise na conturbada região de Tigray no princípio de novembro chegou a 51.513", disse à agência espanhola de notícias, a Efe, o responsável adjunto dos assuntos para os refugiados no este do Sudão, Bashir Ahmed.

O responsável explicou que apesar de ter havido uma melhoria das condições nutricionais dos refugiados nos acampamentos, devido à ajuda das organizações internacionais e locais, ainda "há uma escassez de alojamentos, medicamentos e de médicos".

A propagação de doenças como o VIH e as "anemias e doenças psicológicas e mentais entre os refugiados são as que requerem uma maior atenção médica e psicológica", acrescentou.

A região de Tigray permanece em grande parte isolada do mundo exterior, física e virtualmente, e as organizações humanitárias têm vindo a alertar há semanas para a fome crescente, ataques a refugiados e falta de medicamentos e outros fornecimentos.

O Governo da Etiópia alega ter terminado a operação militar iniciada em 4 de novembro e afirma que a insegurança que se mantém na região configura uma situação de "casos de polícia". Ainda assim, mantém o estado separatista totalmente isolado e com as comunicações e internet fortemente limitadas e assume sozinho a operação humanitária, rejeitando o que designa como "ingerência" em assuntos internos do país.

Os governos da Etiópia e do Tigray consideram-se reciprocamente como ilegítimos, e os combates em curso na região são o culminar de meses de fricção crescente desde que Abiy Ahmed tomou posse em 2018 e afastou do poder a até aí dominante Frente de Libertação Popular do Tigray.

Pensa-se que milhares de pessoas, incluindo civis, terão sido mortas nos combates, que ameaçam desestabilizar a região do Corno de África.