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Primeira caravana de ajuda internacional chegou à capital de Tigray

Antony Njuguna

A região tem sido palco de ofensivas militares com o disparo de foguetes e de incursões para a captura de cidades.

Uma caravana de ajuda internacional chegou hoje a Mekele, capital da região Tigray, a primeira desde o início de uma operação militar do exército etíope, há mais de um mês, informou a Cruz Vermelha Internacional.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, lançou em 04 de novembro uma operação militar na região de Tigray (norte do país), após meses de tensão crescente com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Desde então, a região tem sido palco de ofensivas militares por ambas as partes, com o disparo de foguetes e de incursões para a captura de cidades.

Mais de 40 mil pessoas abandonaram a região em direção ao Sudão e quase 100.000 refugiados eritreus em campos no norte de Tigray ficaram expostos às linhas de fogo, enquanto a comunidade internacional exige acesso à região, que ficou isolada do mundo desde o início da operação militar, para entregar ajuda humanitária.

Uma caravana composta por sete camiões da Cruz Vermelha chegou hopje a Mekele, de acordo com informações da Cruz Vermelha Internacional.

"Esta é a primeira vez, desde que os confrontos começaram em Tigray, há mais de um mês, que a ajuda internacional chegou a Mekele", disse Cruz Vermelha, num comunicado, acrescentando que a caravana foi organizada em coordenação com as autoridades etíopes.

A caravana transporta medicamentos e suprimentos médicos para tratar mais de 400 feridos, além de material para o tratamento de doenças comuns e crónicas, para ser levado até ao Hospital Ayder, o principal de Mekele, e até ao escritório regional de saúde e à farmácia da Cruz Vermelha Etíope na cidade.

"Depois de semanas sem reabastecimento, água corrente e eletricidade, os médicos e enfermeiras foram forçados a fazer escolhas impossíveis entre quais serviços manter e quais cortar", explicou Patrick Youssef, diretor-regional da Cruz Vermelha Internacional em África.

Em 02 de dezembro, a ONU congratulou-se por ter obtido do Governo etíope autorização para acesso humanitário à região de Tigray.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou na noite de quarta-feira um novo acordo, "para missões conjuntas de avaliação", exigindo que a ajuda seja distribuída na região de Tigray "sem qualquer forma de discriminação".

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) disse na noite de sexta-feira que ainda não teve acesso aos quatro campos de refugiados da Eritreia em Tigray.

Duas organizações humanitárias internacionais anunciaram, também na sexta-feira, a morte de quatro de seus membros durante a operação de ajuda em Tigray, e as autoridades etíopes disseram que tinham devolvido refugiados eritreus que se tinham perdido a caminho de Adis Abeba.

"Devolver à força refugiados eritreus para os campos em Tigray coloca-os em risco desnecessário de sofrimento ou fome", lamentou hoje a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW).

A Organização Internacional para as Migrações (OIM), por sua vez, negou na sexta-feira que os seus autocarros estivessem a ser usados para transportar refugiados "para destinos desconhecidos", mostrando-se "extremamente preocupada" com as informações sobre o deslocamento forçado de eritreus.

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