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EUA acusam Irão de violar acordo nuclear ao aumentar produção de urânio enriquecido

O Irão iniciou a produção de urânio enriquecido a 20%, o que está acima do limite estabelecido pelo acordo internacional de 2015.

Os Estados Unidos acusaram esta segunda-feira o Irão de violar o acordo nuclear internacional e de estar a fazer "chantagem" ao decidir aumentar a produção de urânio enriquecido a 20% na central nuclear subterrânea de Fordo.

"O enriquecimento de urânio do Irão a 20% é uma clara tentativa de intensificar a sua campanha de chantagem nuclear. Uma tentativa que continuará a falhar", afirmou o porta-voz de Estado norte-americano, citado pela agência AFP.

Irão iniciou o processo de produção de urânio enriquecido a 20% na central nuclear subterrânea de Fordo, bem acima do limite estabelecido pelo acordo internacional de 2015, divulgou a televisão iraniana.

O porta-voz Peter Stano notou, ainda assim, que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ainda não confirmou esta informação, notando que a UE aguarda que isso aconteça, possivelmente durante esta segunda-feira.

Numa carta datada de 31 de dezembro e enviada à AIEA, o Irão já tinha informado sobre o seu desejo de produzir urânio enriquecido a 20%.

De acordo com o último relatório disponível da agência da ONU, publicado em novembro do ano passado, Teerão enriqueceu urânio com um grau de pureza superior ao limite previsto no acordo de 2015 (3,67%), mas não havia ultrapassado o limite de 4,5%, e ainda cumpria o regime de fiscalização muito rigoroso da Agência.

O Plano de Ação Conjunto Global -- mais conhecido como acordo nuclear iraniano -- é um acordo firmado a 14 de julho de 2015, em Viena, pelo Irão e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido), mais a Alemanha, visando restringir a capacidade do Irão desenvolver armas nucleares.

Entre outras disposições, o acordo limita o número de centrifugadoras (utilizadas para enriquecer urânio) de que o Irão pode dispor.

A partir de maio de 2019, o Irão já tinha começado a libertar-se dos principais compromissos assumidos no acordo de Viena de limitar o seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções internacionais contra o país.

Esse desvincular dos compromissos começou um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos, em maio de 2018, seguida pela reintrodução de pesadas sanções norte-americanas que privaram o Irão das esperadas consequências do acordo.