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"UE vai redobrar esforços" para preservar o acordo nuclear com o Irão

O Irão iniciou a produção de urânio enriquecido a 20%, o que está acima do limite estabelecido pelo acordo internacional de 2015.

A União Europeia vai "redobrar os esforços" para preservar o acordo nuclear concluído com o Irão em 2015, embora condene a decisão de Teerão de retomar o enriquecimento de urânio a 20%, declarou hoje o porta-voz de Josep Borrell.

"Encaramos com viva inquietação as medidas tomadas pelo Irão que visam começar o enriquecimento de urânio a 20%. Esta ação constituirá um desvio significativo dos compromissos nucleares do Irão (...) e nós vamos redobrar os esforços para preservar o acordo", declarou Peter Stano, porta-voz do chefe da diploacia europeia.

Irão anuncia estar a produzir urânio enriquecido a 20%

O porta-voz da Organização de Energia Atómica Iraniana, Behrouz Kamalvandi, anunciou hoje numa entrevista difundida pela televisão estatal que o Irão está a produzir o urânio enriquecido a 20%.

"Cerca das sete horas da noite (15:30 de segunda-feira em Lisboa), atingimos 20%", declarou Kamalvandi na entrevista.

Depois desta hora, a produção de urânio enriquecido a 20% deverá estabilizar totalmente, o que significa são injetadas centrifugadoras de urânio enriquecido a 4% e obtido "20% à saída", acrescentou.

Na segunda-feira, o Irão tinha anunciado o início do processo destino a produzir urânio enriquecido a 20% na central subterrânea de Fordo.

Surgida num contexto de tensões acrescidas com os Estados Unidos, esta decisão não respeita os compromissos assumidos por Teerão perante a comunidade internacional no acordo sobre o nuclear iraniano, concluído em Viena, em 2015.

Kamalvandi adiantou que a sua organização estava a aplicar uma lei aprovada pelo parlamento iraniano, mediante a qual o Governo devia retomar imediatamente a produção de urânio enriquecido a 20%, de modo a produzir 120 quilogramas por ano.

O Irão já produzia urânio enriquecido a este nível antes da conclusão do acordo de Viena, pelo qual Teerão aceitou limitar as atividades de enriquecimento à taxa de 3,67%.

Em resposta à retirada unilateral dos Estados Unidos deste pacto e ao restabelecimento das sanções norte-americanas contra o Irão, decidido em 2018 pelo Presidente Donald Trump, o Governo iraniano foi abandonando, a partir de 2019, a maioria dos compromissos-chave assumidos em Viena.