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República Centro-Africana. Papa pede a forças políticas que evitem violência

Gregorio Borgia

A dupla eleição - presidenciais e legislativas - decorreu num país mergulhado no caos e na violência desde 2013.

O Papa Francisco, que visitou a República Centro-Africana há cinco anos para encorajar uma reconciliação nacional, apelou esta quarta-feira às várias forças políticas para evitarem o recurso à violência, após as eleições de 27 de dezembro.

"Acompanho com atenção e preocupação os acontecimentos na República Centro-Africana, onde recentemente se realizaram eleições em que o povo manifestou o seu desejo de continuar no caminho da paz", disse o Papa.

"Convido todas as partes a um diálogo fraterno e respeitoso, a rejeitar o ódio e a evitar todas as formas de violência", acrescentou o Pontífice.

Dez candidatos da oposição solicitaram na terça-feira a anulação da reeleição do Presidente, Faustin Archange Touadéra, num escrutínio que consideraram "desacreditado", por ter contado com o voto de apenas um em cada dois eleitores.

País mergulhado no caos e violência desde 2013

A dupla eleição - presidenciais e legislativas - decorreu num país mergulhado no caos e na violência desde 2013, após o derrube do então Presidente François Bozizé, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas na anti-Balaka.

Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.

Em novembro de 2015, o Papa Francisco deslocou-se a Bangui, capital da República Centro-Africana, um país também marcado pela violência inter-religiosa e considerado de elevado risco de segurança.

Durante a deslocação, visitou a mesquita central de Bangui, cenário das atrocidades durante os massacres intercomunitários no final de 2013.

Portugal tem atualmente na RCA 243 militares, dos quais 188 integram a missão das Nações Unidas naquele país (Minusca) e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

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