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Bélgica. 116 pessoas detidas em manifestação contra violência policial

Francisco Seco

Os manifestantes protestavam contra a morte de um jovem negro que estava sob custódia policial.

A polícia belga deteve 116 pessoas durante numa manifestação, em Bruxelas, para protestar contra a morte de um jovem negro que estava sob custódia policial e terá sido agredido pelos agentes, anunciaram esta quinta-feira as autoridades.

Segundo a polícia, a manifestação, realizada na quarta-feira, estava a decorrer de forma pacífica e juntava cerca de 500 pessoas -- algumas empunhando cartazes com a frase 'Black Lives Matter', em referência aos protestos que se seguiram à morte de um negro pela polícia norte-americana --, mas tornou-se violenta quando chegou ao centro de Bruxelas.

"Um grupo de manifestantes (50-100 pessoas) permaneceu no local e causou vários incidentes e danos", disse a polícia, acrescentando que vários agentes foram feridos nos confrontos.

De acordo com um comunicado das autoridades, os manifestantes lançaram projéteis, incendiaram, danificaram mobiliário urbanos e veículos policiais. Além disso, quebraram uma janela e uma porta de uma esquadra da polícia.

No total, 116 pessoas foram detidas, incluindo 30 menores, e um manifestante foi atendido por serviços de ambulância, disse a polícia.

"A justiça vai levar a tribunal aqueles que vandalizaram e feriram cinco polícias, incluindo uma mulher-polícia que está hospitalizada", disse o capitão da polícia federal, Marc De Mesmaeker, à emissora de rádio belga RTBF.

Os procuradores de Justiça belgas pediram a nomeação de um juiz de investigação após a morte de um homem negro, de 23 anos, identificado pelas autoridades apenas como I.B.

A procuradoria da Justiça adiantou que o homem foi detido em 9 de janeiro, depois de ter, alegadamente, tentado fugir da polícia que estava a verificar as pessoas reunidas no centro da cidade, apesar das restrições relativas a reuniões em época de covid-19.

O homem foi levado para uma esquadra da polícia onde desmaiou e, em seguida, transferido para um hospital, onde foi declarado morto, referiram as autoridades.

O gabinete da procuradoria adiantou que o Comité P da Bélgica, um órgão independente que supervisiona os serviços policiais, está a investigar o caso e um médico legista foi nomeado para realizar uma autópsia e também testes de toxicologia.

Segundo a imprensa belga, o homem estava a filmar a polícia com o seu telemóvel quando os agentes decidiram verificar a sua identidade.

A procuradoria informou, entretanto, que apreendeu e está a analisar imagens de videovigilância, tanto da esquadra como do local onde o homem foi detido.