Mundo

Cerca de 650 detidos em três noites de distúrbios na Tunísia

Hedi Sfar/ AP

Dez polícias ficaram também feridos nos confrontos na capital da Tunísia e arredores desde a noite de quinta-feira.

Cerca de 650 pessoas foram detidas e 10 polícias ficaram feridos em distúrbios e confrontos na capital da Tunísia e arredores desde a noite de quinta-feira, indicaram hoje fontes da segurança à agência noticiosa espanhola EFE.

Segundo as mesmas fontes, cinco menores foram detidos na localidade de Sidi el Bechir, na periferia de Tunes, quando pretendiam assaltar um dos centros comerciais da zona, enquanto vários outros foram levados para a esquadra nos bairros populares de Saida el Ouardia, Bab el Jedid e Manouba.

Incidentes de vandalismo semelhantes ocorreram nas localidades costeiras de Bizerta, Nabeul, Sousse, Monastir, Mahdia e Kebili, e em cidades do interior como Beja, Kairouan, Siliana e Kasserine, as duas últimas testemunhas de maior violência.

Nestas duas cidades, os manifestantes ergueram barricadas com pneus em chamas e a polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, que nalguns casos enfrentaram os agentes com pedras.

Embora os protestos contra a precariedade e a gestão do Governo ocorram há semanas num contexto de crispação política, os primeiros incidentes violentos ocorreram na quinta-feira, quando se assinalaram os 10 anos da fuga do ditador Zinedine El Abidine Ben Ali durante a revolução na Tunísia que lançou a designada Primavera Árabe.

No mesmo dia iniciou-se um confinamento de quatro dias para travar os contágios pelo novo coronavírus, cujos casos têm aumentado de forma exponencial desde que a Tunísia reabriu as fronteiras no final de junho.

Hedi Sfar/ AP

Segundo dados das autoridades de saúde, na passada quinta-feira o número de infetados foi superior a 4.100, quatro vezes mais que os registados em todo o país antes de se reabrirem as fronteiras para tentar salvar a campanha do verão.

O confinamento de quatro dias, coincidindo com um longo fim de semana e as sempre agitadas celebrações do triunfo da revolução, foi amplamente criticado por especialistas de saúde, que alertaram que não era suficiente para conter os contágios e sugeriram que a decisão podia ter por trás razões políticas e de segurança.