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Polícia indiana lança gás lacrimogéneo contra agricultores em protesto no Dia da República

Adnan Abidi

Protestos poderiam pôr em causa a parada militar anual do Dia da República.

Os agricultores indianos têm vindo a protestar contra as reformas agrícolas na Índia. Há quase dois meses que estão acampados nos arredores de Nova Déli por considerarem que as novas leis para a agricultura apenas beneficiam grandes compradores privados à custa dos produtores.

Esta terça-feira acabaram por entrar em confronto com a polícia, que para conseguir deter os agricultores teve de lançar gás lacrimogéneo.

Anushree Fadnavis

Anushree Fadnavis

A polícia autorizou a manifestação desta terça-feira após várias negociações, mas com a condição de que não iria perturbar o desfile anual do Dia da República, que se realiza no centro de Nova Déli.

No entanto, alguns dos agricultores derrubaram barreiras e desviaram-se da rota autorizada para o protesto dos tratores em direção ao centro de Nova Déli, onde decorria o desfile.

Danish Siddiqui

Danish Siddiqui

Danish Siddiqui

Segundo a organização do protesto apenas um dos grupos se desviou das rotas autorizadas pela polícia.

"Exceto por um grupo, a informação que temos é que todos os protestos estão a acontecer nas rotas pré-definidas com a polícia", disse um dos sindicatos agrícolas em comunicado.

O ministro da Agricultura, Narendra Singh Tomar, considera que poderiam ter escolhido qualquer outro dia em vez do 26 de janeiro, pois os protestos ameaçaram a parada militar anual que marca a adoção da constituição na Índia, em 1950.

Ambar Kumar Ghosh, analista do Observer Research Foundation, explicou à Reuters que "as organizações agrícolas têm uma influência muito forte" e os agricultores "têm recursos para mobilizar apoios" e também para "manter o protesto".

Danish Siddiqui

Danish Siddiqui

Depois de nove rondas de negociações com os sindicatos de agricultores, o Governo indiano ainda não conseguiu acabar com os protestos. Os líderes agrícolas rejeitaram a proposta do Governo de adiar as novas leis por 18 meses.

Os últimos tempos têm sido o maior desafio do primeiro-ministro Narendra Modi desde que assumiu o poder em 2014.

"Modi vai ter de nos ouvir agora, ele vai ter de nos ouvir agora", dizia à Reuters Sukhdev Singh, um agricultor de 55 anos que fazia parte das centenas de agricultores que desviou a rota.

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