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Presidente da República Democrática Congo critica "ataque terrorista" que matou embaixador italiano

Justin Kabumba

Executivo da RDCongo prometeu já fazer "todo o possível para descobrir quem está por detrás" do "vil assassínio".

O Presidente da República Democrática do Congo (RDCongo) condenou esta segunda-feira "nos termos mais fortes possíveis" o "ataque terrorista" a uma missão do Programa Alimentar Mundial, que resultou na morte de três pessoas, incluindo o embaixador italiano no país.

Numa mensagem lida à noite na televisão nacional pelo seu porta-voz e citada pela agência France-Presse (AFP), o chefe de Estado congolês, Félix Tshisekedi, condenou "nos termos mais fortes possíveis este ataque terrorista".

Tshisekedi pediu também, à semelhança do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, uma investigação para que os perpetradores dos ataques sejam "identificados e levados à justiça".

O executivo da RDCongo prometeu já fazer "todo o possível para descobrir quem está por detrás" do "vil assassínio" do embaixador italiano em Kinshasa, Luca Attanasio.

Durante a tarde desta segunda-feira, o Ministério do Interior da RDCongo acusou rebeldes hutus das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR) de estarem por detrás do ataque que hoje matou o embaixador italiano.

Attanasio foi morto a tiro num ataque armado a um comboio do PAM, durante uma visita perto de Goma, no leste da RDCongo, segundo fontes diplomáticas.

Luca Attanasio, que desempenhava as funções de embaixador na República Democrática do Congo desde início de 2018, foi "alvejado no abdómen" e "resgatado pelos guardas do Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN)" no Virunga Park, segundo as autoridades congolesas.

Além do embaixador, duas outras pessoas morreram no ataque: o condutor congolês do PAM e o guarda-costas italiano do embaixador, segundo fontes congolesas e italianas citadas pela AFP.

No ataque, quatro pessoas foram raptadas, tendo uma sido "encontrada" por soldados congoleses, segundo o Ministério do Interior da RDCongo.

O ataque ao comboio do PAM teve lugar a norte de Goma, a capital da província do Kivu Norte, que tem sido flagelada pela violência de grupos armados há mais de 25 anos.

Esta região, que acolhe o Parque Nacional da Virunga, uma joia natural, turística e em perigo de extinção, é também o cenário de conflito no Kivu Norte, onde dezenas de grupos armados lutam pelo controlo da riqueza do solo e subsolo.

Criado em 1925, o Parque Nacional de Virunga é Património Mundial da UNESCO. Estende-se por 7.769 km2, desde Goma até ao território de Beni, entre montanhas e florestas.

O parque é guardado por 689 guardas-florestais armados, dos quais pelo menos 200 foram mortos no cumprimento do seu dever, segundo os funcionários do parque.

O nordeste da RDCongo está há anos mergulhado num conflito alimentado por dezenas de grupos rebeldes armados, nacionais e estrangeiros, apesar da presença do Exército congolês e das forças da missão da ONU no país, que conta com mais de 15.000 operacionais.

Criadas no início dos anos 2000 por rebeldes hutus -- alguns dos quais associados ao genocídio no Ruanda em 1994 --, as FDLR são um dos muitos grupos armados presentes no leste da RDCongo.