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República Democrática do Congo promete tudo fazer para encontrar autores da morte de embaixador italiano

O carro onde seguia o embaixador Luca Attanasio quando foi baleado

Justin Kabumba

Luca Attanasio foi morto durante um ataque a uma caravana das Nações Unidas perto da cidade congolesa de Goma.

O Governo da República Democrática do Congo (RDCongo) prometeu tudo fazer para esclarecer o homicídio do embaixador italiano Luca Attanasio, ocorrido hoje durante um ataque a uma caravana das Nações Unidas perto da cidade congolesa de Goma.

"Prometo ao Governo italiano que o Governo do meu país fará todo o possível para descobrir quem está por detrás deste vil assassínio", disse a ministra dos Negócios Estrangeiros congolesa, Marie Tumba Nzeza, em declarações transmitidas pelos meios de comunicação locais.

"Estamos ainda mais entristecidos porque ele esteve aqui [Ministério dos Negócios Estrangeiros] há apenas uma semana para nos convidar a participar no G20 em Itália no próximo Verão. Ofereço as minhas condolências não só em meu próprio nome, mas também em nome do Governo do meu país ao Governo da Itália por esta imensa perda", acrescentou a ministra.

O ataque, que também matou um polícia e o condutor do carro em que viajavam, visou dois veículos do Programa Alimentar Mundial da ONU (PAM), disse a missão da ONU na RDCongo (MONUSCO).

O ataque teve lugar em Kibumba, 25 quilómetros a nordeste de Goma, na província do Kivu Norte, numa área onde se situa o Parque Nacional da Virunga, na fronteira entre a RDCongo, o Ruanda e o Uganda, e onde operam vários grupos armados.

"Estou devastado com a morte do Embaixador Luca Attanasio", disse, por seu lado, o chefe da MONUSCO, David McLachlan-Karr na conta da missão na rede social Twitter.

"Os responsáveis por este ataque devem ser identificados e processados com a máxima determinação", acrescentou McLachlan-Karr.

O governador da província do Kivu Norte, Carly Nzanzu Kasivita, disse à agência Efe por telefone que a caravana do PAM foi emboscada por um grupo de atacantes fortemente armados.

Segundo o governador, houve "uma troca de tiros entre os guardas-florestais e estes atacantes" e "os habitantes [da zona] alertaram o exército, que veio reforçar os guardas-florestais contra estes milicianos".

"Foi nestes tiroteios que o diplomata foi ferido no estômago, antes de sucumbir às suas feridas no hospital (em Goma), enquanto o seu guarda-costas e motorista morreram no local", acrescentou Kasivita.

Attanasio, 43 anos, casado e com três filhas, tinha-se tornado chefe de missão em Kinshasa em setembro de 2017, onde estava a levar a cabo numerosos projetos humanitários.

Os outros dois mortos são o 'carabinieri' Vittorio Iacovacci, de 30 anos, e o condutor do carro, cuja identidade não foi revelada.

O nordeste da RDCongo está mergulhado há anos num longo conflito alimentado por dezenas de grupos rebeldes armados, nacionais e estrangeiros, apesar da presença do exército congolês e das forças de MONUSCO, que destacaram mais de 15.000 soldados para o país.

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