Mundo

Um homem acusado do assassínio de jornalista maltesa condenado a 15 anos de prisão

Guglielmo Mangiapane

Em 2017, Daphne Caruana Galizia, que investigava a corrupção ao mais alto nível em Malta, morreu na explosão de uma bomba colocada no seu carro.

Vincent Muscat, um dos três homens acusados do assassínio, em outubro de 2017, da jornalista anticorrupção de Malta Daphne Caruana Galizia, foi condenado hoje a uma pena de 15 anos de prisão pelo tribunal da La Valeta.

Ao anunciar o veredicto, o tribunal indicou ter tido em conta o facto de Vincent Muscat - que hoje pela primeira vez se declarou culpado do assassínio - ter colaborado com a polícia e de o Ministério Público ter pedido aquela pena.

A 16 de outubro de 2017, a jornalista e blogger Daphne Caruana Galizia, que investigava a corrupção ao mais alto nível em Malta, morreu na explosão de uma bomba colocada no seu carro.

Três homens com antecedentes criminais - os irmãos Alfred e George Degiorgio e Vicent Muscat - são acusados no dia seguinte, suspeitos de participação numa organização criminal e de terem fabricado a bomba.

Os três sempre se declararam inocentes, até que hoje Muscat decidiu declarar-se culpado.

Segundo o portal noticioso POLITICO, com base em media locais, Muscat tentou obter um perdão ou uma redução de pena em troca de informações sobre o caso da jornalista e de outros crimes graves, incluindo uma tentativa de roubo de uma filial do banco HSBC em 2010 na qual foi preso e acusado.

O pedido de um perdão presidencial foi rejeitado no início do ano, adiantou hoje o POLITICO.

Além de Muscat e dos irmãos Degiorgio, suspeitos de terem fabricado, colocado e feito explodir a bomba que matou a jornalista, um quarto homem ligado ao caso, Yorgen Fenech, proprietário da empresa 17 Black, foi detido em 2019 no seu iate ao largo de Malta, quando tentava fugir.

É oficialmente considerado como uma pessoa que tinha informações sobre o caso. Alguns media e a família de Daphne Caruana Galizia apresentam-no como um possível financiador do assassínio, mas as audiências sobre as acusações contra ele ainda não começaram.

A detenção de Fenech levou a várias demissões de responsáveis políticos.

O chefe de gabinete do primeiro-ministro na época, Joseph Muscat, (sem ligação com Vincent Muscat) demitiu-se em novembro de 2019 e foi seguido pelo ministro do Turismo, enquanto a ministra da Economia suspendeu as funções durante o inquérito ao homicídio.

A 01 de dezembro, o primeiro-ministro anuncia que também se vai demitir, o que se torna efetivo em janeiro de 2020.

  • Mussolini: o pai dos populistas

    Extremos

    Antonio Scurati descreve Mussolini como "o primeiro líder populista da História". O líder fascista "é sem dúvida um ditador, mas foi também o ideólogo da tipologia de liderança populista que ainda hoje domina a cena política", conta o professor e investigador italiano à equipa Extremos

    Maria Rodrigues e Rita Murtinho