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WhatsApp bloqueia acesso a mensagens a quem não aceitar nova política de privacidade

Patrick Sison

Na nova política de privacidade está incluída a partilha de um conjunto de dados com empresas do Facebook. Milhões de utilizadores cancelaram a conta aquando do anúncio das alterações.

A plataforma de conversação WhatsApp anunciou que vai limitar o acesso às mensagens a quem não aceitar a atualização dos Termos de Serviço e a Política de Privacidade até ao dia 15 de maio. As novas normas iriam entrar em vigor a 8 de fevereiro, mas a data para aceitar as alterações foi estendida.

Quem não aceitar esta alteração irá manter a conta ativa – a menos que a apague por iniciativa própria – mas “não poderá usar alguns recursos do WhatsApp”. Segundo é explicado na página de apoio da aplicação, “por um curto período, poderá receber chamadas e notificações, mas não poderá ler nem enviar mensagens”.

A nova política de privacidade, que foi anunciada no início de 2021, tem levantado polémica devido à inclusão de uma cláusula que permite o compartilhamento de dados com o Facebook. A empresa da Mark Zuckerberg comprou o WhatsApp em 2014. O anuncio das novas medidas levou milhões de utilizadores a cancelar as suas contas.

A partir de agora, serão partilhadas com outras empresas do Facebook as informações de registo (como o número de telefone), o endereço de IP, as informações sobre o dispositivo utilizado (como a bateria, a operadora ou a força do sinal), os dados de transação e pagamentos ou informações sobre a interação com os outros (incluindo negócios). Para além disso irá também haver um cruzamento de dados dos usuários que tenham também conta nas plataformas Facebook, Messenger e Instagram.

A empresa garante que as mensagens, áudios, vídeos e imagens enviadas e recebidas não serão partilhadas. Uma das características do WhatsApp é a utilização da criptografia de ponta a ponta, uma técnica que protege os dados enviados de forma a que apenas quem envia e quem recebe tenha acesso ao seu conteúdo.

Ficam fora desta garantia as mensagens que são trocadas com empresas e lojas – como, por exemplo, as que usem a plataforma como serviços de apoio ao cliente. Nessas conversações, por ser utilizado uma plataforma de gestão de chats, o WhatsApp não consegue garantir que haja criptografia de ponta a ponta e, desta forma, as informações trocadas poderão ser utilizadas para direcionar os anúncios nas várias plataformas detidas pelo Facebook.

Esta não é a primeira vez que a política de privacidade é alterada, depois do WhatsApp ter sido comprado por Zuckerberg. Em 2016, a empresa já tinha realizado uma grande mudança no documento que rege a utilização da aplicação de conversação, mas, nessa altura, os utilizadores que já tinham conta prévia tiveram opção de recusar a partilha de dados com a empresa mãe. As novas contas, no entanto, não tinham essa possibilidade.

Desta vez não há escolha: caso pretenda continuar a ler e enviar mensagens pelo WhatsApp tem mesmo de aceitar os novos Termos de Serviço e a Política de Privacidade. A única alternativa é eliminar a conta, depois de exportar o histórico das suas conversas. No entanto, a empresa alerta que “essa ação é irreversível porque apagará o histórico de mensagens, removerá dos grupos dos quais participa e apagará os seus backups do WhatsApp”.

A compra milionária do Instagram e do WhatsApp – em 2012 e 2014, respetivamente – tem valido várias críticas ao Facebook. A empresa de Mark Zuckerberg foi acusada, no passado mês de dezembro, pela Comissão Federal de Comércio nos Estados Unidos e por 48 autoridades estaduais de ter uma conduta anticompetitiva. A comissão considera que a transação ocorreu devido ao crescimento dos rivais do Facebook e defende que os negócios devem ser desfeitos.

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