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Republicanos recusam afastar congressista investigado por relação com menor

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O líder da maioria republicana no Congresso afirma que o congressista será substituído se se confirmar a veracidade das acusações.

O partido republicano irá manter Matt Gaetz, aliado do ex-presidente Donald Trump, na Comissão de Justiça do Congresso, apesar de pressões de democratas para o seu afastamento por estar a ser investigado por uma relação com menor.

Kevin McCarthy, líder da maioria republicana no Congresso, afirmou à Fox News que Gaetz perderá o lugar na Comissão caso a investigação a ser conduzida pelo Departamento de Justiça - cuja supervisão compete ao Congresso - produza informação substancial.

"Matt Gaetz afirma neste momento que [a alegada relação com uma menor de 17 anos] não é verdade e não temos qualquer informação. Portanto, vamos recolher informação. Se for verdade [que cometeu um crime], seria sim substituído", disse McCarthy.

Além de membro da Comissão de Justiça, o congressista de 38 anos integra também a Comissão do Serviço Militar, tendo-se notabilizado pela defesa acérrima do ex-presidente Trump, sobretudo nos dois processos de destituição de que foi alvo.

Duas fontes ligadas ao processo disseram à AP que Gaetz, eleito pelo Estado da Florida, tem conhecimento há meses do seu envolvimento numa investigação federal, sob suspeita de que terá violado a lei de tráfico de menores, por viajar entre Estados com uma adolescente de 17 anos com quem mantinha relações sexuais.

No caso, em curso há quase um ano e que envolveu o topo da hierarquia do Departamento de Justiça, o congressista é também suspeito de ter mantido relações com outras menores, segundo as mesmas fontes.

Nos últimos meses, os investigadores interrogaram testemunhas e reviram documentos de viagem e financeiros do congressista.

Ted Lieu, um dos congressistas democratas que já pediram que Gaetz seja afastado das referidas comissões, defendeu ser insustentável que se mantenha na de Justiça enquanto é investigado pelo Departamento responsável.

Entre os republicanos, Gaetz recebeu o apoio de outra destacada figura da ala conservadora, Marjorie Taylor Greene, que através das redes sociais comparou o caso às "teorias da conspiração e mentiras" que ligavam Trump à Rússia: "Acreditem em mim, rumores e manchetes de jornais não são o mesmo que verdade", disse.

Segundo o The New York Times, que noticiou a investigação em primeiro lugar, a investigação resulta de um processo anterior contra um político da Florida, Joel Greenberg, já constituído arguido por tráfico de menores, além de outras acusações de assédio a adversários políticos.

Gaetz rejeitou, em declarações à Axios, ter tido "qualquer relação com raparigas menores de idade" e disse que, segundo informação dos seus advogados é apenas "sujeito" na investigação, não "alvo".

"Acredito que há pessoas no Departamento de Justiça que estão a tentar criminalizar a minha conduta sexual, de quando era solteiro. É certo que, nos meus dias de solteiro, tratei bem as mulheres com quem me relacionei. Paguei voos, quartos de hotel, fui um parceiro generoso", adiantou.

O congressista afirma estar a ser alvo de extorsão de um antigo responsável do Departamento de Justiça, David McGee.

A versão foi desmentida pelo próprio McGee, hoje um advogado, que a considerou "difamatória".