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Amazon alvo de queixa federal por despedir como represália por denúncias laborais

Michel Spingler

Despedimento de duas designers informáticas foi considerado "uma medida de represália" pela agência federal encarregada do Direito do Trabalho, segundo o New York Times.

O despedimento de duas 'designers' informáticas e ativistas climáticas pelo conglomerado do comércio eletrónico Amazon foi considerado "uma medida de represália" pela agência federal encarregada do Direito do Trabalho, segundo o New York Times.

A Agência das Relações Laborais (NLRB, na sigla em Inglês) confirmou hoje à AFP que vai apresentar queixa contra a Amazon por desrespeito do Direito do Trabalho, se o conglomerado não regularizar a situação com Maren Costa e Emily Cunningham.

Estas duas líderes do coletivo Empregados da Amazon pela Justiça Climática (AECJ, na sigla em Inglês) foram despedidas há um ano, oficialmente por "infrações repetidas do regulamento interno".

Na sua conta na rede social Twitter, Emily Cunningham apresenta-se como "Lançadora de alertas. (...) Designer. Despedida por acionar o alarme sobre o clima e a covid-19". Já Maren Costa explica que foram despedidas na Páscoa, de 2020, por se terem "batido pela segurança dos colegas em tempo de covid".

Em reação, um porta-voz da Amazon disse: "Apoiamos o direito de todos os nossos empregados a criticar a condições de trabalho do seu empregador, mas isso não significa uma imunidade completa contra os nossos regulamentos internos, que são legais".

Com outros engenheiros e programadores da Amazon, Costa e Cunningham apelaram à realização de uma greve em 24 de abril, para protestar contra as práticas da empresa em termos de recursos humanos e reclamar medidas para o ambiente e melhores condições de trabalho para os empregados dos centros de logística. `

"Queremos dizer à Amazon que estamos fartas disto tudo, dos despedimentos, das tentativas de nos silenciarem, da poluição, do racismo e da rutura climática", tinha declarado Maren Costa, segundo um comunicado do AECJ, por ocasião de uma reunião virtual com cerca de 400 trabalhadores.

Segundo principal empregador nos EUA, com mais de 800 mil trabalhadores, a Amazon é criticada frequentemente pelo seu comportamento em termos de responsabilidade social e ambiental por associações e vários empregados.

O mal-estar foi ampliado pela pandemia. O conglomerado fundado pelo homem mais rico do mundo quase que duplicou o seu lucro em 2020, para 21 mil milhões de dólares (18 mil milhões de euros), graças à explosão da procura em contexto de pandemia, mas os trabalhadores queixam-se de cadências infernais e riscos para a saúde.

Entretanto, um processo para a criação de um sindicato em um centro logístico no Estado do Alabama está a avançar, no que será uma novidade na Amazon nos EUA, se tiver sucesso.

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