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Marwa foi acusada do bloqueio no Suez, mas estava a muitos quilómetros de distância

Instagram Marwa Elselehdar

“Senti que poderia ser um alvo talvez porque sou uma mulher de sucesso neste meio”.

A notícia do bloqueio no canal do Suez, em março, veio acompanhada de rumores segundo os quais por trás do incidente estaria Marwa Elselehdar, a primeira egípcia capitã de cargueiros. Na altura, ao mesmo tempo que o navio “Ever Given” encalhava no Suez, Marwa comandava o “Aida IV”, a centenas de quilómetros de distância.

Os rumores do seu envolvimento no incidente do Canal do Suez foram alimentados pela imagem de uma manchete falsa, alegadamente publicada pelo jornal Arab News, que circulou nas redes sociais. A imagem manipulada terá sido feita com base num artigo verdadeiro, publicado pelo Arab News a 22 de março, que descreve o sucesso de Marwa como a primeira mulher à frente de um navio no Egito.

À BBC, a capitã contou não fazer ideia de quem criou a notícia falsa ou a razão para o ter feito.

“Senti que poderia ser um alvo, talvez porque sou uma mulher de sucesso neste meio ou por ser egípcia, mas não tenho a certeza. (…) A sociedade ainda não aceita a ideia de mulheres a trabalhar no mar longe da família por um longo período de tempo. Mas quando se faz o que se gosta, não há necessidade de procurar a aprovação dos outros”, afirmou.

Quando surgiram os primeiros rumores, Marwa receou o impacto que pudessem ter no seu trabalho, até porque o facto do artigo estar escrito em inglês permitia que se espalhasse para outros países.

“Tentei negar o que estava escrito na notícia porque estava a afetar a minha reputação e todo o esforço que fiz para chegar onde estou hoje”, disse, acrescentando que apesar dos comentários negativos, decidiu focar-se nas mensagens positivas que recebeu.

“Decidi focar-me em todo o apoio e amor que estou a receber e a minha raiva transformou-se em gratidão. Também vale a pena mencionar que me tornei mais famosa do que nunca. (...) A minha mensagem para as mulheres que querem estar na marinha é lutar pelo que amam e não deixar que a negatividade as afete”, concluiu."