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Congresso dos EUA abre investigação a republicano suspeito de tráfico de menores

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O Congressista Matt Gaetz está também a ser alvo de uma investigação federal por viajar entre Estados com uma menor de 17 anos, com quem mantinha relações sexuais.

A Comissão de Ética da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos abriu uma investigação a Matt Gaetz, congressista republicano suspeito de vários crimes, incluindo tráfico sexual de menores.

O anúncio foi feito através de comunicado da Comissão, assinado pelo Presidente, o congressista democrata Ted Deutsch, e pela republicana Jackie Walorski.

"A Comissão está ciente das alegações públicas de que o Representante Matt Gaetz pode ter-se envolvido em conduta sexual ilícita e/ ou uso de drogas ilícitas, compartilhado imagens ou vídeos inadequados no plenário da Câmara, uso indevido de registos de identificação estaduais, convertido fundos de campanha para uso pessoal e/ ou aceite um suborno, gratificação ou presente impróprios", refere o comunicado.

O comunicado sublinha que tais alegações constituem "violação das Regras da Câmara, leis ou outros padrões de conduta".

Também esta sexta-feira, um porta-voz de Gaetz anunciou que este será representado, no processo judicial em curso, pelos advogados Marc Mukasey e Isabelle Kirshner.

"Matt sempre foi um lutador. Um lutador pelos seus eleitores, um lutador pelo país e um lutador pela Constituição. Ele vai lutar contra as alegações infundadas contra ele", disse o representante do congressista, que nega as alegações e afirma pretender manter o seu lugar na Câmara dos Representantes, para o qual foi eleito pelo Estado da Florida.

Na quinta-feira, a AP noticiou que um ex-associado de Gaetz, o responsável das finanças a nível de condado Joel Greenberg, está a negociar com a acusação um possível acordo, podendo tornar-se num delator do congressista.

Segundo o The New York Times, que noticiou a investigação em primeiro lugar, esta resulta de um processo anterior contra Greenberg, já constituído arguido por tráfico de menores, além de outras acusações de assédio a adversários políticos.

Gaetz mantém-se na Comissão de Justiça do Congresso, apesar de pressões de democratas no sentido do seu afastamento.

Kevin McCarthy, líder da maioria republicana no Congresso, afirmou à Fox News que Gaetz perderá o lugar na Comissão caso a investigação a ser conduzida pelo Departamento de Justiça - cuja supervisão compete ao Congresso - conduza a uma acusação.

"Matt Gaetz afirma neste momento que (a alegada relação com uma menor de 17 anos) não é verdade e não temos qualquer informação. Portanto, vamos recolher informação. Se for verdade (que cometeu um crime), seria sim substituído", disse McCarthy.

Além de membro da Comissão de Justiça, o congressista de 38 anos integra também a Comissão do Serviço Militar, tendo-se notabilizado pela defesa acérrima do ex-presidente Trump, sobretudo nos dois processos de destituição de que foi alvo.

Duas fontes ligadas ao processo disseram à AP que Gaetz, eleito pelo Estado da Florida, tem conhecimento há meses de que é alvo de uma investigação federal, sob suspeita de que terá violado a lei de tráfico de menores, por viajar entre Estados com uma menor de 17 anos com quem mantinha relações sexuais.

No caso em curso há quase um ano, e que envolveu o topo da hierarquia do Departamento de Justiça, o congressista é também suspeito de ter mantido relações com outras menores.

Nos últimos meses, os investigadores interrogaram testemunhas e reviram documentos de viagem e financeiros do congressista.

Na semana passada, ex-presidente Donald Trump rejeitou que Gaetz, um dos seus maiores apoiantes, lhe tenha pedido um indulto presidencial.

Segundo o The New York Times que refere que Gaetz procurou a sua ajuda, nas últimas semanas de mandato do ex-presidente, Gaetz abordou o assunto em conversas privadas na Casa Branca, pedindo particularmente "indultos preventivos gerais para si e para aliados seus no Congresso", mas que tal foi negado pelo potencial de ser aberto um precedente.