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Jornalista inicia greve de fome em Marrocos e pede julgamento em liberdade condicional

Youssef Boudlal

O jornalista marroquino Omar Radi está em prisão preventiva há oito meses por acusações de "espionagem" e "violação".

O jornalista marroquino Omar Radi, em prisão preventiva há oito meses por acusações de "espionagem" e "violação", iniciou este sábado uma greve de fome para exigir que seja julgado em liberdade condicional, anunciou o seu advogado.

"Omar Radi considera que as acusações contra si são falsas, mas o que exige é que seja julgado em liberdade condicional", afirmou Miloud Kandil à agência noticiosa espanhola EFE, reconhecendo que esta greve de fome representa um perigo para a vida do repórter devido aos "grandes problemas de saúde" que já apresenta.

O ativista, de 34 anos, seguiu uma cessação voluntária de alimentação adotada desde sexta-feira pelo colega de profissão Soleimán Raisuni, detido por crimes semelhantes, a exigir a sua libertação e a retirada das acusações por parte da justiça marroquina.

O tribunal de recurso de Casablanca voltou a recusar na quinta-feira o pedido de liberdade condicional ao jornalista Omar Radi, que se destacou na defesa dos direitos humanos e é acusado em simultâneo de ter recebido "financiamentos estrangeiros", "atentado à segurança interna do Estado" e de "violação", em dois processos julgados em conjunto.

O caso de violação será julgado em 24 de abril, em conjunto com o repórter Imad Stitou, acusado de cumplicidade e mantido em liberdade condicional, num inquérito iniciado em julho de 2020, tendo por base uma queixa de uma colega, que nega as relações "livremente consentidas" alegadas por Omar Radi e defende o seu "direito à dignidade".

Já o inquérito por espionagem relaciona-se, segundo o jornalista, com informações transmitidas no âmbito da sua profissão e arrancou em junho de 2020, depois de um relatório da Amnistia Internacional (AI), afirmando que o seu telefone estava a ser alvo de escutas pelas autoridades marroquinas através de um programa de pirataria informática.

Rabat sempre desmentiu e denunciou uma "campanha internacional de difamação".

Diversas organizações de direitos humanos, incluindo a AI e a Human Rights Watch (HRW), apelaram na segunda-feira à libertação condicional do jornalista junto das autoridades e pugnaram por um "processo justo para todas as partes".

Os seus apoiantes têm alertado com regularidade que "nos últimos anos diversos jornalistas independentes, militantes e políticos foram detidos, julgados ou condenados por acusações duvidosas de agressões sexuais" em Marrocos.

Omar Radi já foi condenado no início de 2020 a quatro meses de prisão com pena suspensa por "ofensa a magistrado", após uma mensagem na rede social Twitter na qual criticava um juiz.