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Príncipe da Jordânia aparece em público apesar da prisão domiciliária

YOUSSEF ALLAN/ROYAL HASHEMITE COURT HANDOUT HANDOUT

O príncipe Hamzah é acusado de "conspiração" contra o rei Abdullah II, seu meio-irmão.

O príncipe Hamzah, da Jordânia, apareceu este domingo em público pela primeira vez desde que foi colocado em prisão domiciliária, acusado de "conspiração" contra o rei Abdullah II, seu meio-irmão.

O príncipe esteve presente numa cerimónia com o rei Abdullah II, num importante feriado nacional, que este domingo assinalou o centenário do estabelecimento do Emirado da Transjordânia, o protetorado britânico antecessor da atual monarquia.

O palácio real divulgou uma fotografia e um vídeo com Abdullah, Hamzah, o príncipe herdeiro Hussein e outros dignitários, junto à sepultura do rei Talal, em Amã, a capital. Hamzah juntou-se à família para as orações, mas não fez declarações.

Segundo a agência AP, esta foi a primeira vez que Hamzah foi visto em público desde que foi colocado em prisão domiciliária, em 03 de abril, na sequência de acusações de envolvimento numa "conspiração maliciosa" para desestabilizar a monarquia.

Porém, não é certo que o rei e o popular príncipe tenham posto de lado as suas diferenças, na sequência da mais séria divergência pública da família real em décadas.

As autoridades impuseram uma mordaça generalizada à cobertura mediática da disputa real, mas, num comunicado que chegou à comunicação social, o príncipe Hamzah nega as acusações de conspiração e critica o Governo jordano por corrupção e incompetência.

O rei Abdullah confirmou depois que as autoridades tinham impedido uma tentativa de conspiração, envolvendo o seu meio-irmão e outros 18 suspeitos, assumindo-se zangado e chocado.

"[Hamzah está] com a sua família, no seu palácio, sob a minha responsabilidade", adiantou, dando a entender que controla os movimentos do meio-irmão.

A aparição de Hamzah mostrou que está bem, mas desconhece-se se o príncipe terá aparecido voluntariamente e se tal significa maior liberdade de movimentos.

Não há indicações de que as autoridades tenham libertado algum dos outros 18 suspeitos, entre os quais estão elementos de uma das tribos mais poderosas, aliada tradicional da monarquia.

Este drama palaciano surge numa altura em que a Jordânia se debate com uma crise económica e social (uma em quatro pessoas está no desemprego), agravada pela pandemia de covid-19 e o impacto desta num país muito dependente do turismo.

As queixas contra a corrupção e o desgoverno deram origem a protestos, nos últimos meses, por todo o país.

Ao mesmo tempo, a paisagem estratégia da região está a mudar, com a aproximação entre os poderosos emirados do Golfo e Israel, o que pode desvalorizar o papel da Jordânia no processo de pacificação do Médio Oriente.

A Jordânia -- com uma grande população palestiniana, incluindo mais de dois milhões de refugiados, e seus descendentes, das guerras com Israel -- tem sido um parceiro estável do Ocidente, nomeadamente dos Estados Unidos, na região.

Abdullah e Hamzah são filhos do rei Hussein, que governou a Jordânia durante quase meio século, até morrer, em 1999.

Abdullah chegou a designar Hamzah como príncipe herdeiro à sua sucessão, mas, em 2004, recuou na intenção, a favor do seu filho mais velho.