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Polícia russa detém dois diretores da fábrica histórica de S. Petersburgo que está a arder

Um incêndio destrói uma fábrica no centro de São Petersburgo, na Rússia.

Anton Vaganov

Está em curso um inquérito para averiguar a acusação de "negligência que levou a morte" de um bombeiro.

A polícia russa deteve esta terça-feira dois responsáveis da histórica fábrica que está a ser consumida por um incêndio em São Petersburgo, que já provocou a morte a um bombeiro e ferimentos noutros três.

Segundo o comité de investigação russo, foram detidos o diretor de produção e o respetivo adjunto da fábrica, na sequência do inquérito em curso para averiguar a acusação de "negligência que levou a morte".

Segundo os investigadores, foi constatada "uma série de violações" na segurança contra incêndios, facto que a administração do vasto complexo "sabia perfeitamente", razão pela qual as instalações não deveriam ter sido ocupadas.

"As visitas de fiscalização realizadas em 2020 e 2021 revelaram inúmeras violações (...). O trabalho neste edifício não poderia ocorrer, embora se continuasse a trabalhar", explicou o comité.

O incêndio começou na segunda-feira cerca das 12:30 locais (10:30 em Lisboa), estando ainda por apurar as circunstâncias da deflagração.

"Continuamos o trabalho para extinguir alguns dos focos do incêndio. Neste momento o fogo está circunscrito a 500 metros quadrados", referiu, esta terça-feira, um comunicado do Ministério para as Situações de Emergência da Rússia.

Os ventos fortes que se faziam sentir ajudaram a propagar as chamas no complexo de grandes dimensões, visíveis do centro histórico da antiga capital imperial russa, a cerca de 10 quilómetros de distância, e destruíram 10 mil metros quadrados da antiga fábrica.

Segundo o portal de informação local Fontanka, o incêndio é o mais grave registado em São Petersburgo em 19 anos.

A Fábrica Nevski, construída por um industrial inglês no século XIX e classificada como "monumento histórico regional", foi considerada uma das maiores instalações industriais da antiga União Soviética.

Parte da fábrica encontra-se abandonada, mas há uma área do complexo em que se mantém a atividade industrial, além de uma zona comercial.