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Presidente do Chade morre durante visita aos militares na linha da frente

Ludovic Marin/ AP

Idriss Déby estava no poder há 30 anos e tinha sido reeleito para um sexto mandato esta segunda-feira.

O Presidente do Chade, Idriss Déby Itno, no poder há 30 anos, morreu esta terça-feira devido a ferimentos sofridos durante uma visita aos militares que estão na linha da frente na luta contra rebeldes no norte do país, anunciou um porta-voz na televisão estatal.

"O Presidente da República, chefe de Estado, chefe supremo do Exército, Idriss Déby Itno, acaba de dar o seu último suspiro, enquanto defendia a integridade territorial no campo de batalha", anunciou o porta-voz do Exército, general Azem Bermandoa Agouna, numa declaração lida na estação pública de televisão chadiana, TV Tchad. "É com profunda amargura que anunciamos ao povo chadiano a morte esta terça-feira, 20 de abril de 2021, do marechal do Chade", acrescentou Bermandoa Agouna.

O anúncio da morte de Idriss Déby Itno, 68 anos, chegou poucas horas depois de as autoridades eleitorais o declararem vencedor da eleição presidencial de 11 de abril, abrindo caminho para que permanecesse no poder por mais seis anos. Segundo observadores internacionais, Idriss Déby governa o país desde 1990 com um "punho de ferro".

Ministros e oficiais de alta patente deram conta na segunda-feira que o chefe de Estado tinha visitado a linha da frente para se juntar ao seu exército, que enfrentava uma coluna de rebeldes, que lançaram uma ofensiva a partir de bases recuadas na Líbia no dia das eleições, 11 de abril.Os rebeldes, que o Exército começou por dizer na segunda-feira que tinha derrotado nos combates, afirmaram numa declaração que Déby tinha sido ferido, mas a informação não tinha até agora sido confirmada por fontes oficiais.

O Exército chadiano anunciou na segunda-feira que tinha provocado mais de 300 baixas entre os rebeldes, que haviam iniciado oito dias antes uma incursão no norte do país, e que tinha perdido cinco soldados em combate no passado sábado. O grupo rebelde FACT ('Front for Change and Concord in Chad') lançou uma ofensiva a partir das suas bases de retaguarda na Líbia no passado dia 11, dia das eleições presidenciais, cuja vitória foi atribuída a Deby esta segunda-feira.

"Mais de 300 rebeldes foram neutralizados no campo do inimigo" no passado sábado, disse na segunda-feira o próprio Bermandoa Agouna, acrescentando que a ofensiva rebelde nas províncias de Tibesti e Kanem tinha "terminado". Bermandoa disse ainda nessas primeiras declarações que 36 soldados foram feridos nos combates de sábado e que 150 rebeldes tinham sido feitos prisioneiros, "incluindo três líderes".

O FACT, pelo seu lado, informou numa declaração no domingo que tinha "libertado a região de Kanem", onde os combates tiveram lugar no sábado.

Os países ocidentais viam Deby como um aliado na luta contra grupos extremistas islâmicos, incluindo o Boko Haram, na Bacia do Lago Chade, e grupos ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico, no Sahel.

O Presidente do Chade, nos últimos tempos, enfrentava também o crescente descontentamento público com a gestão da riqueza do petróleo do Chade e a repressão da oposição.

As circunstâncias da morte de Deby não foram ainda confirmadas de forma independente, devido à localização remota.

Os confrontos entre os rebeldes e o exército chadiano no maciço de Tibesti, que faz fronteira com a Líbia, são frequentes. Em fevereiro de 2019, uma outra incursão com o objetivo de derrubar Idriss Déby Itno, foi travada pela intervenção de caças bombardeiros da força aérea francesa, solicitada por Ndjamena.

Filho de Déby Itno vai liderar conselho militar que assume o poder no Chade

Mahamat Idriss Déby Itno, de 37 anos, comandante da guarda presidencial e filho do Presidente chadiano, Idriss Déby Itno, vai dirigir um conselho militar que assumirá o poder no país, anunciou o exército chadiano.

"Foi criado um conselho militar chefiado pelo seu filho, o general Mahamat Idriss Déby Itno", anunciou o porta-voz do exército, general Azem Bermandoa Agouna, numa declaração transmitida na rádio estatal, pouco depois de anunciar a morte do chefe de Estado. "O conselho reuniu-se imediatamente e promulgou a Carta de Transição", acrescentou Bermandoa Agouna.