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Governo colombiano apela ao diálogo entre "todos os setores" da sociedade

Luisa Gonzalez

Prosseguem os protestos contra o Presidente Ivan Duque.

O Governo colombiano apelou na quinta-feira ao diálogo entre "todos os setores" da sociedade no nono dia de protestos contra o Presidente conservador, Ivan Duque.

Pelo menos 26 pessoas morreram e mais de 800 ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e forças de segurança, nomeadamente em Bogotá e em Cali (sudoeste), de acordo com os últimos números oficiais.

"Devemos ouvir todos os setores do país, mas o país deve também ouvir o governo (...) isto inclui aqueles que se manifestam, mas também aqueles que não se manifestam", disse o conselheiro presidencial Miguel Ceballos, nomeado mediador na crise, à Blu Radio.

As discussões começaram na quarta-feira, sob a supervisão de Ceballos, com a participação do Provedor de Justiça, um organismo público para a proteção dos direitos, representantes do Ministério Público e federações de vários setores económicos.

Ceballos tinha garantido que iria encontrar-se com os líderes dos protestos na segunda-feira. Depois, numa mensagem na rede social Twitter, convidou o comité de greve para um encontro com o Presidente e a vice-Presidente, Mara Lucía Ramírez, sem dar mais pormenores.

Este comité, que lançou o apelo à mobilização, disse estar pronto para um diálogo direto com Ivan Duque.

O presidente do sindicato Central Unitária de Trabalhadores, Francisco Maltés, respondeu, num vídeo enviado aos meios de comunicação social, que o diálogo só será possível "quando as cidades e as zonas rurais onde jovens foram massacrados em protestos pacíficos tiverem sido desmilitarizadas".

"Vamos continuar a greve nacional", advertiu.

Para a presidente da Câmara de Bogotá, Cláudia Lopez, é com os jovens "que estão na rua" que se deve dialogar. A capital colombiana é um dos principais centros dos protestos.

A onda de protestos, iniciada a 28 de abril, dirigia-se inicialmente contra uma proposta de reforma fiscal que, de acordo com os críticos, teria afetado a classe média e era inapropriada no meio da pandemia de Covid-19.

O Presidente retirou a proposta e prometeu um novo texto sem os pontos mais polémicos, como aumentar o IVA e alargar a base do imposto sobre o rendimento.

Mas o movimento de protesto, que integra sindicatos de várias áreas, estudantes, povos indígenas e ambientalistas, tem continuado com novas palavras de ordem a exigir melhores políticas de saúde, educação e segurança, ao mesmo tempo que tem denunciado abusos da polícia.

Ivan Duque, cuja popularidade ronda os 33%, enfrentou múltiplos protestos desde 2019, num país em recessão económica e a braços com um ressurgimento do conflito armado, com os dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e outros grupos de guerrilha, que o atormenta há quase 60 anos.

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