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Irão confirma pela primeira vez conversações com a Arábia Saudita

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Os dois países estão envolvidos em conflitos regionais, fornecendo apoio a fações rivais, nomeadamente na Síria e no Iémen.

A diplomacia do Irão (xiita) confirmou hoje, pela primeira vez e após várias semanas de especulações, a realização de conversações com a rival regional Arábia Saudita (sunita), afirmando, porém, ser ainda "muito cedo" para falar sobre potenciais resultados.

Organizadas no início de abril, as conversações, facilitadas pelo primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al-Kazimi, foram mantidas em segredo até ao passado dia 18 de abril, quando o jornal Financial Times noticiou que altos representantes das nações muçulmanas rivais tinham estado reunidos em Bagdad, capital do Iraque.

"As conversações entre Teerão e Riade são tanto sobre questões bilaterais como regionais. Sempre saudámos conversações a qualquer nível e sob qualquer forma e isso não é uma nova política", referiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Saïd Khatibzadeh, em declarações à comunicação social.

Este processo de diálogo, confirmado igualmente por fontes oficiais iraquianas, representa um primeiro esforço significativo para acalmar as tensões que persistem há mais de cinco anos entre estas duas potências rivais da região do Médio Oriente.

Segundo o porta-voz da diplomacia iraniana, é ainda necessário esperar para "ver os resultados destes diálogos" antes de tomar decisões ou classificar eventuais resultados.

"É ainda muito cedo para nos pronunciarmos sobre resultados" e sobre "os detalhes das negociações", reforçou o representante citado por várias agências internacionais.

E prosseguiu: "A diminuição (de tensões) e o estabelecimento de relações (...) é benéfico para as duas nações".

No final de abril, o Irão já tinha saudado uma "mudança de tom" por parte da Arábia Saudita após declarações proferidas pelo príncipe herdeiro saudita (e encaradas na altura como conciliatórias) sobre o desejo de ter "boas e especiais relações" com a República Islâmica.

Teerão e Riade romperam as relações diplomáticas em 2016, o que provocou uma grave cisão na região.

Os dois países estão envolvidos em conflitos regionais, fornecendo apoio a fações rivais, nomeadamente na Síria e no Iémen.

Este diálogo entre Teerão e Riade coincide com as negociações que estão a decorrer para tentar salvar o acordo internacional sobre o programa nuclear do Irão, assinado em 2015, mas que ficou fortemente fragilizado com a saída unilateral, em 2018, dos Estados Unidos da América (EUA), então sob a liderança do Presidente republicano Donald Trump.

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