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Air France e Airbus vão a tribunal responder pela queda do voo Rio de Janeiro-Paris em 2009

Handout .

Por responsabilidades indiretas na queda do avião no Oceano Atlântico que matou 228 pessoas.

A Air France e a Airbus vão a tribunal por "homicídios involuntários" de 228 pessoas na queda no Oceano Atlântico do voo que fazia a ligação Rio de Janeiro-Paris a 1 de junho de 2009.

Esta decisão do Tribunal de Recurso de Paris invalida a rejeição proferida em 2019 a favor da empresa e do fabricante no final das investigações.

Os advogados da Airbus, Simon Ndiaye e Antoine Beauquier, anunciaram imediatamente um recurso, denunciando uma "decisão injustificada" e "em contradição com os juízes de instrução que conheciam bem o processo".

Um dos advogados da Air France, François Saint-Pierre, reafirmou que “a Air France nega ter cometido uma falta criminal que está na origem deste terrível acidente”.

A presidente da associação Entraide et Solidarité AF447, Danièle Lamy, disse ser "com imensa satisfação ter finalmente sido ouvido em tribunal”.

Queda no Atlântico

A 1 de junho de 2009, o voo AF447 que ligava o Rio de Janeiro a Paris caiu no meio do Atlântico. Todos os 216 passageiros e 12 tripulantes, de 34 nacionalidades perderam a vida no acidente, o mais mortal da história da companhia francesa.

A 29 de agosto de 2019, após dez anos de investigações marcadas por uma batalha de perícias, os juízes de instrução do tribunal de Paris decidiram não levar as empresas a tribunal,

No seu parecer,, os juízes Nicolas Aubertin e Fabienne Bernard afirmaram que o "acidente deveu-se claramente a uma combinação de fatores que nunca haviam ocorrido antes e que, portanto, os perigos não podiam ser notados antes do acidente".

As investigações, que visavam determinar a possibilidade de atribuir a responsabilidade indireta do acidente à companhia aérea e à fabricante de aeronaves, "não levaram a caracterizar uma má conduta da Airbus, ou da Air France, em linha com (...) erros de pilotagem que originaram o acidente", apontaram os magistrados.

A decisão dos juízes provocou as críticas das associações de familiares das vítimas do desastre aéreo.

Em setembro de 2019 o Ministério Público recorreu da decisão de não julgar a companhia aérea Air France e a fabricante Airbus.