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Combates recomeçam no sul do Afeganistão após fim do cessar-fogo

Cara Anna/ AP

Apesar do cessar-fogo, a violência não parou no Afeganistão.

Os combates recomeçaram hoje entre as forças governamentais afegãs e os talibãs na província de Helmand, após o fim de uma trégua de três dias decretada devido à festa muçulmana do Eid al-Fitr, anunciaram as autoridades.

Os confrontos ocorreram na periferia de Lashkar Gah, capital desta província do sul do país que foi palco de intensos combates desde o dia 01 de maio, data que os EUA tinham definido como prazo para a retirada dos seus 2.500 soldados no terreno, disseram um porta-voz do exército e um responsável local.

"Os talibãs e as forças governamentais enfrentaram-se quando o cessar-fogo terminou", disse o líder do conselho provincial de Helmand, Attaullah Afghan, à agência France-Presse.

Segundo a mesma fonte, os talibãs atacaram vários postos de controlo em torno da capital de província e em outros distritos.

Um porta-voz do exército afegão no sul confirmou que os combates tinham recomeçado.

Os talibãs, seguidos pelo governo afegão, anunciaram na segunda-feira um cessar-fogo de três dias para assinalar o Eid al-Fitr, a festa muçulmana que marca o fim do Ramadão.

Apesar do cessar-fogo, a violência não parou no Afeganistão. Na sexta-feira, pelo menos 12 pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas num atentado à bomba contra uma mesquita nos subúrbios de Cabul.

Segundo a agência norte-americana especializada na vigilância das atividades online dos grupos jihadistas, o ataque foi realizado pelo grupo extremista Daesh, mas este rejeitou a acusação e responsabilizou o Governo.

O Daesh reivindicou, no entanto, ter destruído várias estações elétricas no fim de semana, o que deixou Cabul sem luz durante a maior parte dos três dias do Eid.

Este clima contínuo de violência no país acontece num momento em que os Estados Unidos da América (EUA) e as forças aliadas da NATO prosseguem com o plano de retirada do Afeganistão após quase 20 anos de permanência naquele território.

Washington e a Aliança Atlântica devem retirar as forças que ainda se encontram no país até ao dia 11 de setembro, data em que se assinalam 20 anos dos atentados contra Nova Iorque, em 2001.