Mundo

Decretado estado de sítio no Haiti

Valerie Baeriswyl

O primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, declarou o estado de sítio no país, após o assassínio do Presidente Jovenel Moise.

Joseph fez o anúncio num comunicado televisionado, rodeado pelo diretor da Polícia Nacional, Leon Charles, e por outras autoridades, após presidir a um Conselho de Ministros extraordinário.

O Presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado por homens armados aparentemente estrangeiros que realizaram um ataque à sua residência ao amanhecer no bairro de Pelerin em Porto Príncipe.

A mulher do Presidente foi ferida no ataque e hospitalizada, precisou Joseph, apelando à população para manter a calma e indicando que a polícia e o exército assegurarão a manutenção da ordem.

O assassínio ocorre dois meses antes das eleições presidenciais e legislativas convocadas para o próximo dia 26 de setembro, às quais Moise não se poderia candidatar.

Vindo do mundo dos negócios, Jovenel Moise, 53 anos, foi eleito Presidente em 2016 e assumiu o cargo a 07 de fevereiro de 2017.

Entretanto, as autoridades haitianas decidiram encerrar o aeroporto internacional de Port-au-Prince, obrigando ao cancelamento ou ao desvio para outros destinos de vários voos da capital do país.

O Haiti, a nação mais pobre do continente americano, regista problemas económicos, políticos, sociais e de insegurança, nomeadamente com raptos para a obtenção de resgates realizados por gangues que quase sempre ficam impunes.

O país ainda tenta recuperar do devastador terramoto de 2010 e do furacão Matthew em 2016.

A inflação tem aumentado e os alimentos e combustível escasseiam no país das Caraíbas com mais de 11 milhões de habitantes, 60% dos quais ganha menos de dois dólares (1,69 euros) por dia. A situação levou Moise a ser acusado de inação e a enfrentar uma forte desconfiança de boa parte da sociedade civil.

Num contexto que fazia temer a anarquia generalizada, o Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e a Europa apelaram à realização de eleições legislativas e presidenciais livres e transparentes até ao final de 2021.

Jovenel Moise tinha anunciado na segunda-feira a nomeação de um novo primeiro-ministro, Ariel Henry, precisamente com a missão de realizar eleições no país.