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República Dominica encerra fronteira com o Haiti após assassínio do Presidente

Dieu Nalio Chery

A República Dominicana e o Haiti têm quatro passagens oficiais de fronteira.

A República Dominicana encerrou a sua fronteira com o Haiti, após o assassínio esta quarta-feira de madrugada do Presidente haitiano, Jovenel Moise, disse fonte militar dominicana à agência de notícias EFE.

O Presidente dominicano, Luis Abinader, ordenou o encerramento das quatro passagens de fronteira com o Haiti e ordenou o reforço da vigilância na área, segundo um responsável do Corpo Especializado de Segurança de Fronteira Terrestre (Cesfront).

A República Dominicana e o Haiti têm quatro passagens oficiais de fronteira, embora a maior parte da fronteira, com cerca de 380 quilómetros de extensão, não tenha barreiras divisórias.

Após o assassínio, o aeroporto de Port-au-Prince foi encerrado e as companhias aéreas que voavam para a capital haitiana suspenderam ou desviaram os seus voos.

Presidente do Haiti assassinado a tiro em casa em Port-au-Prince

O Presidente Jovenel Moise foi assassinado esta quarta-feira de madrugada na sua casa por um comando formado por elementos estrangeiros, anunciou o primeiro-ministro cessante, Claude Joseph.

A mulher do Presidente foi ferida no ataque e hospitalizada, precisou Joseph, apelando à população para manter a calma e indicando que a polícia e o exército assegurarão a manutenção da ordem.

Joseph condenou o que designou de "ato odioso, desumano e bárbaro".

"O Presidente foi assassinado em sua casa por estrangeiros que falavam inglês e espanhol. Atacaram a residência do Presidente da República", declarou Claude Joseph. "A situação de segurança está sob controlo", assegurou.

Vindo do mundo dos negócios, Jovenel Moise, 53 anos, foi eleito Presidente em 2016 e assumiu o cargo a 07 de fevereiro de 2017.

O Haiti, a nação mais pobre do continente americano, regista problemas económicos, políticos, sociais e de insegurança, nomeadamente com raptos para a obtenção de resgates realizados por gangues que quase sempre ficam impunes.

O país ainda tenta recuperar do devastador terramoto de 2010 e do furacão Matthew em 2016.

A inflação tem aumentado e os alimentos e combustível escasseiam no país das Caraíbas com mais de 11 milhões de habitantes, 60% dos quais ganha menos de dois dólares (1,69 euros) por dia. A situação levou Moise a ser acusado de inação e a enfrentar uma forte desconfiança de boa parte da sociedade civil.

Num contexto que fazia temer a anarquia generalizada, o Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e a Europa apelaram à realização de eleições legislativas e presidenciais livres e transparentes até ao final de 2021.

Jovenel Moise tinha anunciado na segunda-feira a nomeação de um novo primeiro-ministro, Ariel Henry, precisamente com a missão de realizar eleições no país.