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Governo interino do Haiti pede ajuda militar aos Estados Unidos

Polícia no meio de uma multidão que protesta contra o assassinato do presidente haitiano Jovenel Moïse.

Joseph Odelyn

País atravessa período conturbado após o assassínio do Presidente Jovenel Moise.

O Governo interino do Haiti disse que pediu aos Estados Unidos que enviassem tropas para proteger as principais infraestruturas, enquanto tenta estabilizar o país e se preparar para as eleições, após o assassínio do Presidente Jovenel Moise.

"Definitivamente precisamos de ajuda e pedimos ajuda aos nossos parceiros internacionais", disse o primeiro-ministro interino, Claude Joseph, à agência de notícias Associated Press (AP) numa entrevista por telefone na sexta-feira.

"Acreditamos que nossos parceiros podem ajudar a polícia nacional a resolver a situação", acrescentou Joseph.

Entretanto, o Governo de Biden não deu até agora alguma indicação de que fornecerá assistência militar ao Haiti.

Por enquanto, o executivo norte-americano pretende apenas enviar funcionários do FBI para ajudar a investigar um crime que mergulhou o Haiti, um país já devastado pela pobreza e pela violência de gangues, numa batalha desestabilizadora pelo poder e num impasse constitucional.

Na sexta-feira, um grupo de legisladores anunciou que havia nomeado Joseph Lambert, atual líder do Senado no Haiti, como Presidente interino, num desafio direto à autoridade do Governo interino de Claude Joseph.

Os parlamentares também reconheceram como primeiro-ministro Ariel Henry, que Moise selecionou para substituir Claude Joseph um dia antes de ser morto, mas que ainda não havia assumido o cargo ou formado um Governo.

"Não estou interessado numa luta pelo poder", disse Joseph, que assumiu a liderança do país com o apoio da polícia e dos militares.

"Só há uma maneira de as pessoas se tornarem Presidente no Haiti. E isso é por meio de eleições", indicou.

Centenas de haitianos reuniram-se diante da embaixada dos Estados Unidos em Port-au-Prince, implorando para sair do país. Mulheres carregavam bebés e jovens agitavam passaportes e documentos de identidade enquanto gritavam: "Refúgio!" e "Ajuda!".

O Presidente haitiano Jovenel Moise foi assassinado na quarta-feira, na sua residência, e sua mulher também ficou ferida.

A polícia haitiana diz que o ataque foi perpetrado por um comando composto por 28 pessoas, das quais 26 são colombianas e duas outras são haitianas-americanas.

Até agora, 20 pessoas foram detidas pelo alegado envolvimento direto no ataque, incluindo 18 colombianos e os dois americanos.

O Governo colombiano confirmou que vários dos detidos são antigos militares e ofereceu a sua cooperação às autoridades haitianas na investigação.

Um procurador do Haiti convocou dois magnatas, Réginald Boulos e Dimitri Vorbe, e os antigos senadores da oposição Youri Latortue e Steven Benoît para testemunharem sobre o assassínio do Presidente Jovenel Moise.

O assassínio do Presidente haitiano, morto na sua residência, levou o Governo haitiano a declarar o estado de sítio por um período de 15 dias.