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Regime da Venezuela tentou deter Guaidó e deteve outro dirigente da oposição

Ueslei Marcelino

Freddy Guevara chegou a transmitir, por Instagram, o momento em que funcionários policiais, encapuzados, rodearam a sua viatura.

Efetivos das Forças de Ações Especiais (FAES), da Polícia Nacional Bolivariana, tentaram encontrar o líder político opositor Juan Guaidó, detendo, entretanto, o ex-vice-presidente do parlamento, o oposicionista Freddy Guevara.

As ações das FAES foram denunciadas através da rede social Twitter por Fabiana Rosales, mulher de Juan Guaidó, que confirmou, posteriormente e pela mesma via, a detenção de Freddy Guevara.

"Neste momento, os funcionários de FAES estão na cave da minha casa. Homens encapuzados com armas rodeiam a carrinha onde está o 'Presidente' Juan Guaidó", escreveu Fabiana Rosales no Twitter.

Entretanto, a equipa de imprensa de Juan Guaidó partilhou, através das redes sociais, várias fotografias em que é possível ver pessoas uniformizadas armadas, alegados efetivos das FAES, no edifício onde aquele dirigente da oposição reside, em Santa Fé, no leste de Caracas.

Numa das fotos vê-se ainda uma pessoa no chão.

Entretanto várias pessoas concentraram-se, nas proximidades do local, perguntando pelo líder opositor.

Roberto Campo, integrante da equipa de Juan Guaidó transmitiu em direto, pelas redes sociais, o momento em que venezuelanos protestavam pela presença das FAES, com palavras de ordem como "Onde está Guaidó?" e "Libertem Guaidó".

Quase em simultâneo Fabiana Rosales denunciou a detenção do ex-deputado da Assembleia Nacional e membro do partido Vontade Popular, Freddy Guevara.

"O regime de (Nicolás Maduro), está levando detido o deputado Freddy Guevara", escreveu a mulher de Juan Guaidó.

O próprio Freddy Guevara chegou a transmitir em vivo, por Instagram, o momento em que funcionários policiais, encapuzados, rodearam a sua viatura, numa autoestrada em Caracas.

"Decidi ficar no meu país, apesar de todos estes problemas, e da possibilidade de voltar a ser detido, sabendo que estamos num regime ditatorial (...) estou convencido que fiz o correto e vou continuar a fazer o correto", explica Freddy Guevara num vídeo, pouco antes da sua detenção.

Acusado de instigar a protestos antigovernamentais

Freddy Guevara, de 35 anos, foi acusado pelas autoridades locais de instigar à realização de protestos antigovernamentais em 2017. Em setembro de 2020 obteve liberdade plena quando o Presidente Nicolás Maduro concedeu um indulto a uma centena de presos políticos, no âmbito de negociações com a oposição.

Militante do partido opositor Vontade Popular (centro-esquerda) esteve refugiado na embaixada do Chile em Caracas durante três anos.

Domingo, durante um discurso transmitido pela televisão estatal venezuelana, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro anunciou que nas próximas horas seriam conhecidos "elementos, provas, da articulação da ultradireita golpista" com situações de violência ocorridos na semana passada em Caracas, quando grupos criminosos se confrontaram com as forças de segurança.

Segundo Nicolás Maduro, a oposição tinha um plano para provocar "uma insurreição popular armada desde os bairros de Caracas" e gerar "uma guerra civil entre venezuelanos".

A crise política, económica e social venezuelana, agravou-se desde janeiro de 2019, quando o então presidente do parlamento, Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de Presidente interino da Venezuela, até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres e democráticas no país.