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Jornalista condenado a prisão por alegados insultos ao Presidente bielorrusso

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Em causa estão mensagens enviadas num grupo do Viber.

Um jornalista foi esta segunda-feira condenado a um ano e meio de prisão, por um tribunal da Bielorrússia, depois de ter insultado o Presidente, Aleksandr Lukashenko, em mensagens enviadas num grupo de 'chat', informou a Associação Bielorrussa de Jornalistas.

A condenação de Siarhei Hardziyevich, de 50 anos, faz parte de uma campanha das autoridades bielorrussas contra os meios de comunicação social independentes e os defensores dos direitos humanos.

Siarhei Hardziyevich foi declarado culpado por ter insultado o Presidente e difamado as forças policiais, segundo a associação, tendo ainda sido condenado a pagar uma multa de 1.600 dólares (1.348 euros).

As acusações contra o jornalista da cidade Drahichyn, a 300 quilómetros de Minsk, surgiram após mensagens enviadas num grupo na aplicação Viber e que foi eliminado no ano passado.

"Não tenho nada a ver com estes crimes, não me considero culpado"

O jornalista bielorrusso, que trabalha para um popular jornal local, The First Region, manifestou inocência.

"Não tenho nada a ver com estes crimes, não me considero culpado", disse em tribunal Siarhei Hardziyevich.

A seus advogados de defesa exigiram que se retirassem as acusações por falta de evidência e porque era impossível cometer um crime.

A organização de direitos humanos Viasna afirmou que o jornalista era um preso político.

Aumenta a pressão sobre órgãos de comunicação independentes

De acordo com a Viasna, as autoridades bielorrussas aumentaram a pressão sobre as organizações não governamentais e órgãos de comunicação independentes nas últimas semanas, realizando mais de 200 invasões em escritórios e apartamentos de ativistas e jornalistas apenas julho.

Alexander Lukashenko prometeu que vai continuar com aquilo que descreveu como sedo uma "operação de limpeza" contra ativistas da sociedade civil, criticando como "criminosos e agentes estrangeiros".

Os protestos contra Lukashenko começaram em agosto de 2020, depois de ter sido eleito para um sexto mandato, que a oposição e os países ocidentais consideram fraudulento.

O Presidente bielorrusso respondeu às manifestações com uma repressão massiva que resultou em 35 mil pessoas detidas e milhares feridas pela polícia.

Atualmente, 29 jornalistas bielorrussos continuam detidos, a aguardar julgamento ou a cumprir pena.

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