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Balanço sobe para cinco mortos e vários feridos em manifestação em Beirute

Apoiantes de um grupo xiita aliado do Hezbollah com armas de fogo durante confrontos armados num protesto no sul de Beirute, no Líbano.

Hassan Ammar / AP

O protesto em frente ao Palácio da Justiça foi convocado pelo poderoso grupo Hezbollah que exige a demissão do juiz do processo da explosão no porto da capital do Líbano em agosto de 2020.

Pelo menos cinco pessoas morreram e há pelo menos oito feridos num tiroteio em Beirute num protesto que estava a decorrer frente ao Palácio da Justiça contra o juiz que decidiu pela suspensão da investigação à explosão no porto da capital em agosto de 2020.

A primeira vítima a ser noticiada foi morta com um tiro na cabeça e três dos oito feridos estão em estado crítico, disse à AFP Mariam Hassan, do hospital Sahel, nos subúrbios ao sul de Beirute.

Minutos mais tarde, a agência Reuters avançou com mais uma vítima mortal, com base em informações do Exército libanês, tendo depois acrescentado mais dois mortos, entre os quais uma mulher que foi atingida por um tiro dentro de casa.

O ministro libanês do Interior disse entretanto que há cinco mortos a lamentar.

Hezbollah e Amal afirmam que grupos armados dispararam para a cabeça dos manifestantes

O protesto em frente ao Palácio da Justiça foi convocado pelo poderoso movimento xiita Hezbollah e aliados como o Amal que exigem a destituição do juiz Tarek Bitar, que suspendeu a investigação à explosão no porto da capital.

Os dois grupos afirmam que os tiros foram disparados por homens armados colocados em cima dos telhados na zona de Tayounah e foram diretamente apontados à cabeça dos manifestantes.

Processo sobre explosão do porto de Beirute suspenso

A investigação sobre a explosão no porto de Beirute foi temporariamente suspensa na terça-feira, num contexto de contestação legal dos réus contra o juiz Tarek Bitar, o segundo juiz a liderar a investigação e que tem estado sob pressão da classe política libanesa.

Manifestação frente ao Palácio da Justiça a exigir a demissão do juiz encarregue do processo da explosaão no porto de Beirute em agosto de 2020.

Manifestação frente ao Palácio da Justiça a exigir a demissão do juiz encarregue do processo da explosaão no porto de Beirute em agosto de 2020.

NABIL MOUNZER / EPA

Na segunda-feira o chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, acusou-o de politizar o inquérito e pediu a sua substituição por um magistrado "honesto e transparente".

As famílias das vítimas apoiam Bitar, denunciando as tentativas de inviabilizar e politizar a investigação.

"Há uma decisão política de não permitir ao juiz trabalhar", considerou Nizar Saghieh, diretor da ONG jurídica Legal Agenda.

"As forças que o contestam esgotam todos os recursos legais por enquanto, mas é claro que algumas partes estão prontas a recorrer a meios não legais para o impedir de trabalhar", disse à agência France-Presse.

A explosão a 4 de agosto de 2020, causada pelo armazenamento sem segurança de uma enorme quantidade de nitrato de amónio, fez pelo menos 214 mortos, mais de 6.500 feridos e destruiu vários bairros de Beirute.

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