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Condado de Los Angeles quer Vanessa Bryant submetida a exames psiquiátricos

Andrew D. Bernstein

A viúva do falecido basquetebolista Kobe Bryant processou o condado de Los Angeles pela divulgação não autorizada de fotografias das vítimas do acidente de helicóptero.

Os advogados de defesa do condado de Los Angeles entregaram em tribunal um requerimento para que Vanessa Bryant e a família das restantes vítimas do acidente de helicóptero que, em 2020, vitimou o jogador de basquetebol Kobe Bryant, a sua filha e mais sete pessoas, fizesse um exame psiquiátrico. O objetivo deste exame é perceber se a partilha de fotografias dos restos mortais das vítimas, por parte funcionários da autarquia, causou danos emocionais.

Este requerimento surge no âmbito de um processo movido por Vanessa Bryant contra o município. Depois do acidente, funcionários captaram imagens dos corpos das vítimas dos acidentes, que foram divulgadas entre bombeiros e forças de autoridade do condado, que nada tinham a ver com o acidente. Um dos funcionários foi apanhado a mostrar as fotografias que tinha guardadas no seu telemóvel num bar.

Vanessa Bryant acusa a autarquia de alegada violação de direitos civis, negligência, sofrimento emocional e violação de privacidade. No entanto, a defesa do condado de Los Angeles defende que os danos emocionais foram causados pelo acidente e não pela conduta dos funcionários que partilharam as fotos e, por isso, está a requerer um exame psicológico à família das vítimas para identificar a origem dos danos.

“Eles não podem estar a sofrer com fotos do local do acidente que nunca viram e nunca foram divulgadas publicamente. Os demandantes estão à procura de dezenas de milhões de dólares para os compensar por alegados danos mentais e emocionais. Os exames médicos ajudariam a avaliar a existência, extensão e causa dos alegados danos”, afirma a defesa, citada pelo jornal desportivo Marca.

Por outro lado, os advogados de Vanessa Bryant defendem que este exame irá obrigar os familiares das vítimas a recordar o acidente. Num comunicado de resposta, defendem que “não é preciso um especialista e certamente não é preciso um exame psiquiátrico involuntário de oito horas para um júri avaliar a natureza e a extensão do sofrimento emocional causado pela má conduta dos réus”.

Acrescentam ainda que o requerimento interposto pela defesa do condado de Los Angeles vai além do julgamento, sublinhando que qualquer pessoa pode sentir-se afetada pela divulgação de fotografias de um momento difícil.

“Estes são os sentimentos que qualquer pessoa razoável experimentaria se os funcionários públicos encarregados de proteger a dignidade dos seus parentes falecidos tirassem fotografias gráficas dos restos mortais dos seus entes queridos, usassem as fotografias para entretenimento de cocktails e não as contivessem e protegessem as fotografias”, argumentam ainda.

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