Mundo

ONG's pedem à Interpol para vetar junta militar de Myanmar

Sakchai Lalit

Mais de 250 organizações não-governamentais (ONG) lançam apelo para a Assembleia Geral da Interpol.

Mais de 250 organizações não-governamentais (ONG) apelam, esta terça-feira, à Interpol, para impedir a junta militar birmanesa de representar Myanmar na Assembleia Geral daquela organização que dura até quinta-feira, na cidade turca de Istambul.

As ONG's dizem que, segundo os meios de comunicação birmaneses, Myanmar será representada na assembleia da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) pelo chefe da polícia e vice-ministro do Interior, Than Hlaing, que é acusado de repressão contra o movimento pró-democracia no país.

Than Hlaing é responsável "pela política repressiva e pelas ações violentas cometidas pela polícia contra manifestantes pacíficos e é, portanto, responsável por graves violações dos direitos humanos em Myanmar", pode ler-se num comunicado assinado por grupos como ALTSEAN-Burma, Justice for Myanmar, Progressive Voice e Karen Human Rights Group.

As ONG lembram que a comunidade internacional rejeitaram a junta birmanesa em eventos como a recente cimeira da COP26 sobre alterações climáticas em Glasgow e as cimeiras da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Than Hlaing, que está sob sanções da UE, EUA e Reino Unido, que incluem o congelamento de bens e proibição de viajar, é responsável pelos recentes ataques a civis no estado de Chin, acrescentam.

A agência de notícias Myanmar Now contactou vários países participantes na assembleia, incluindo os Estados Unidos, Austrália e Noruega, mas estes recusam-se a confirmar a participação do representante da junta militar, que tomou o poder num golpe de Estado a 1 de fevereiro.

O golpe militar

Desde o golpe, pelo menos 1.286 pessoas morreram em resultado da repressão violenta da polícia e dos soldados, que dispararam sobre civis desarmados, segundo a Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP), enquanto a junta afirma que estes números são irrealistas.

A AAPP também alega que as autoridades militares detiveram mais de 10.300 pessoas, incluindo a líder deposta, Aung San Suu Kyi, e condenaram 414 pessoas, incluindo 118 à revelia, proferindo 65 sentenças de morte.

O exército justificou a tomada do poder por uma alegada fraude durante as eleições gerais de novembro, cujo resultado foi anulado e em que o partido liderado por Suu Kyi saiu vitorioso, tal como em 2015, com o apoio de observadores internacionais.

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