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Candidata da extrema-direita italiana choca opositores ao partilhar vídeo de alegada violação

Candidata da extrema-direita italiana choca opositores ao partilhar vídeo de alegada violação
NurPhoto
O principal adversário, Enrico Letta, considera que a republicação do vídeo foi além dos "limites da dignidade e da decência".

A candidata de extrema-direita que aspira a ser a primeira mulher a liderar Itália foi criticada pela oposição, esta segunda-feira, por ter publicado um vídeo pixelizado mostrando uma mulher a ser violada por um requerente de asilo.

Giorgia Meloni, a dirigente do partido Irmãos de Itália (FdI), de matriz neofascista, republicou no domingo à noite na rede social Twitter um vídeo de um site de notícias italiano filmado por uma testemunha de uma janela com vista para a rua. Nele vê-se e ouve uma mulher, identificada como ucraniana, a gritar desesperadamente. Um requerente de asilo da Guiné-Conacri foi detido por agressão sexual, segundo relatos da comunicação social italiana.

"Não se pode ficar em silêncio perante este atroz episódio de violência sexual em plena luz do dia em Piacenza, perpetrado por um requerente de asilo", escreveu Meloni, que na terça-feira vai iniciar a campanha no âmbito das eleições legislativas italianas antecipadas, agendadas para setembro.

"Um abraço para esta mulher. Farei tudo o que me for possível para restaurar a segurança nas nossas cidades", acrescentou.

O seu principal adversário nas eleições legislativas antecipadas de 25 de setembro, o líder do Partido Democrático (PD, centro-esquerda), Enrico Letta, reagiu numa entrevista a uma rádio afirmando que republicar aquele vídeo foi além dos "limites da dignidade e da decência".

A ex-ministra da Educação italiana Lucia Azzolina, declarou que publicar o vídeo da alegada violação "não é uma denúncia criminal oficial, mas uma instrumentalização" da violência. "[Ver] uma mulher, candidata a líder do país, usar estes media é arrepiante", sustentou a antiga ministra.

Carlo Calenda, líder de um pequeno e novo partido centrista chamado Ação, afirmou, por sua vez: "Meloni fez uma coisa que não é digna de um país civilizado e é contra as mulheres". A referência de Meloni à segurança das cidades italianas é um dos temas da direita nesta campanha eleitoral, que também tem como alvo a imigração.

Meloni foi, é claro, apoiada pelo parceiro de coligação Matteo Salvini, líder da Liga, de extrema-direita, e ex-ministro do Interior, que declarou: "Defender as nossas fronteiras e os cidadãos italianos será um dever para mim, não um direito".

Num vídeo de resposta às críticas de Letta, Giorgia Meloni enfatizou que ninguém é identificável naquele vídeo e que o líder do centro-esquerda falhou ao não condenar sequer a agressão.

"Por que é que não fala sobre isto? Porque isso implicaria admitir o facto de que a segurança nas nossas cidades está fora de controlo, também graças às políticas de imigração surreais que o senhor adotou", disse Meloni.

As sondagens mostram que os Irmãos de Itália têm uma vantagem potencial sobre o PD na corrida eleitoral, mas nenhum deles tem apoio suficiente para governar sozinho.

Meloni pode contar com um impulso significativo dos seus parceiros de coligação -- a Liga, de Salvini, e o partido de centro-direita Força Itália, de Silvio Berlusconi --, ao passo que Letta está alinhado com partidos muito mais pequenos.

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