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Cães com mais de 10 anos têm maior risco de demência, saiba quais os sinais de alerta

Cães com mais de 10 anos têm maior risco de demência, saiba quais os sinais de alerta
(Canva)
Tal como nos humanos, a probabilidade de virem a ter problemas neurodegenerativos aumenta com a idade.

Um novo estudo publicado no final de agosto, na revista Scientific Reports, concluiu que o risco de os cães desenvolverem a chamada Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina aumenta a partir dos 10 anos de idade. A pesquisa realizada pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriu que esse risco de demência aumenta 52% em cada ano que passa a partir da altura em que o animal completa uma década.

Mais de 15 mil donos de cães participaram neste estudo, através do preenchimento de dois inquéritos entre dezembro de 2019 e dezembro de 2020.

A pesquisa foi feita em parceria com o Dog Aging Project, um consórcio norte-americano que se propõe perceber como os genes, o estilo de vida e o ambiente influenciam o envelhecimento dos cães.

Também à semelhança do ser humano, os cães com menor atividade física têm maior probabilidade de registar um declínio cognitivo. Os cães inativos têm quase sete vezes mais probabilidade de apresentar um declínio cognitivo do que os que são ativos.

A investigação teve em conta outros fatores, como a raça, problemas de saúde já existentes, atividade física ou esterilização e concluiu que os cães que tenham antecedentes de doenças neurológicas, auditivas ou visuais têm maior possibilidade de desenvolver demência do que os animais sem esse tipo de patologias.

Até aos 10 anos de idade, o estudo praticamente não regista casos de animais com Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina. Contudo, os donos dos cães com mais de uma década devem estar atentos pois muito pode ser feito para evitar o declínio cognitivo dos seus animais de estimação.

“Tantas vezes os donos pensam que os seus cães estão a ficar mais lentos e não se apercebem que há coisas que podem fazer para abrandar ou mesmo evitar o declínio cognito”, lembra a veterinária Dana Varble, em entrevista à CNN.

"Vários estudos mostram que a atividade cognitiva e o exercício são importantes para a saúde mental dos cães, tal como para os humanos. A estimulação cerebral é importante e pode facilmente ser feita, por exemplo com puzzles e outros jogos", refere Dana Varble.

(Canva)

A veterinária sublinha a importância dos "food puzzles", uma espécie de quebra-cabeças com comida, nos quais os cães são estimulados a procurar o sítio onde se escondem os alimentos.

Existem também suplementos alimentares que "têm demonstrado bons resultados no combate ao declínio dos cães, assim como comida especialmente desenvolvida para cães mais velhos", sublinha Dana Varble.

Sinais de alerta

Os cães que começam a desenvolver demência podem perder o gosto pelas brincadeiras e têm tendência a dormir mais.

Há vários anos que tem sido estudado o comportamento dos cães para tentar perceber os primeiros sinais de demência e ajudar a cuidar dos animais que desenvolvam Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina.

De acordo com os especialistas, estes são os sinais a que é necessário prestar especial atenção:

Desorientação

Os cães com demência começam a ter dificuldades de orientação, mesmo dentro de casa. Começam a vaguear, outras vezes ficam parados entre a mobilia, sem conseguirem encontrar uma saída. É possível também encontrá-los simplesmente parados a olhar para uma parede ou para o chão. Há casos em que deixam mesmo de reconhecer os donos.

Alterações nos hábitos de sono

A Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina faz com que os cães deixem de distinguir o dia da noite. Acordam a meio da noite e começam a andar pela casa, a ladrar e a gemer. A falta de sono noturno faz com que tenham muito sono e durmam mais durante o dia.

Alterações no treino doméstico

Alguns cães esquecem-se dos hábitos para s quais foram treinados. Deixam de pedir aos donos para ir à rua e muitas vezes fazem as necessidades em casa, o que os deixa bastante ansiosos. Em certos casos, pedem para ir à rua, mas depois de lá estarem esquecem-se de fazer as necessidades e só as fazem quando regressam a casa.

Alterações no comportamento social

O relacionamento com o dono e com outras pessoas com quem lida habitualmente, podem sofrer alterações. O cão pode tornar-se mais medroso ou carente, mas também pode ter comportamentos antissociais, evitando as interações e procurando estar sozinho.

Alterações no comportamento físico

O declínio cognitivo faz com que o cão perca o interesse pelos brinquedos favoritos, por outros cães ou mesmo pelas pessoas que lhe são próximas. Acontece também começarem a andar às voltas, sem destino, sem serem capazes de sossegar.

Se verificar algum destes sinais, leve o cão ao veterinário o mais rapidamente possível. uma intervenção médica precoce pode ajudar a melhorar a qualidade de vida do animal.

Caso a demência seja detetada numa fase precoce, ainda podem ser encontradas formas de travar o processo neurodegenerativo, tais como: mudanças na alimentação, estimulação da atividade física e da socialização, assim como a prática de alguns jogos indicados para o efeito.

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