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Exército de Israel admite "forte possibilidade" de ter disparado contra jornalista da Al-Jazeera

Exército de Israel admite "forte possibilidade" de ter disparado contra jornalista da Al-Jazeera
HAZEM BADER
É a primeira vez que os militares israelitas assumem que podem ter sido os responsáveis pela morte de Shireen Abu Akleh na Cisjordânia.

O Exército israelita reconheceu esta segunda-feira, pela primeira vez, que há uma forte possibilidade de ter sido o responsável pelo disparo que matou a jornalista palestiniana da Al-Jazeera, Shireen Abu Akleh, que morreu a 11 de maio nas proximidades do campo de refugiados palestinianos em Jenin, na Cisjordânia.

Um alto oficial do exército de Israel admitiu que os soldados dispararam contra vários locais, incluindo aquele em que se encontrava a repórter, argumentando que estavam cercados e sob forte ataque das forças palestinianas.

Apesar de Shireen Abu Akleh ter um colete à prova de bala com identificação de jornalista, Israel disse que não foi capaz de a identificar.

“Ele [o soldado] identificou-a incorretamente”, disse o oficial, sob anonimato. “O relato em tempo real aponta para um erro de identificação”, acrescentou.

Em reação às declarações do exército de Israel, o responsável pela cobertura da Al Jazeera na Cisjordânia, Walid Al-Omari, acusou os militares de tentarem fugir à responsabilidade. “Esta é, claramente, uma tentativa de contornar a abertura de uma investigação criminal”, declarou à Associated Press.

O oficial que agora prestou declarações à imprensa defendeu que o disparo não foi intencional. Ficou por explicar porque é que o exército demorou quatro meses a investigar o caso.

A família da jornalista da Al-Jazeera criticou a investigação feita por Israel, garantindo que o exército “tentou esconder a verdade e evitar a responsabilidade” pela morte de Shireen Abu Akleh.

“A nossa família não está surpreendida com este resultado, pois é óbvio para qualquer pessoa que os criminosos de guerra israelitas não podem investigar os seus próprios crimes. Continuamos profundamente magoados, frustrados e desapontados", disse a família.

Em junho, a Organização das Nações Unidas confirmou que a repórter tinha sido morto por tropas israelitas.

“Todas as informações que reunimos – incluindo do exército israelita e do Procurador-Geral palestiniano – corroboram o facto de que os tiros que mataram a Sra. Abu Akleh e feriram o seu colega Ali Sammudi vieram das forças de segurança israelitas e não de disparos indiscriminados de palestinianos armados, como inicialmente afirmaram as autoridades israelitas”, afirmou uma porta-voz do Alto Comissariado, Ravina Shamdasani.

A morte de Shireen Abu Akleh, uma jornalista muito respeitada e reconhecida da cadeia televisiva do Qatar, abalou o Médio Oriente. A Autoridade Palestiniana, a Al JAzeera e o Qatar, país que financia a Al Jazeera, acusaram de imediato o exército israelita de ter matado deliberadamente a repórter.

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