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Biden anuncia novo acordo ferroviário nos EUA

Biden anuncia novo acordo ferroviário nos EUA
STEFANI REYNOLDS
Uma eventual paralisação poderia ter efeitos profundos antes das eleições intercalares.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou esta quinta-feira que foi alcançado um acordo laboral provisório no setor dos caminhos-de-ferro, evitando uma greve que poderia ter efeitos profundos antes das eleições intercalares.

As empresas ferroviárias e os representantes sindicais reuniram-se, desde quarta-feira, "durante 20 horas" no Departamento do Trabalho para alcançarem um acordo no sentido de evitarem uma greve a partir de sexta-feira, que poderia paralisar as linhas de comboio em todo o território dos Estados Unidos.

De acordo com uma fonte da Casa Branca citada pela Associated Press, que pediu o anonimato, Biden falou ao telefone com o Secretário do Trabalho, Marty Walsh, na noite de quarta-feira. O presidente dos Estados Unidos terá pedido aos negociadores para consideraram os efeitos que uma greve poderia ter para "as famílias, agricultores e para os homens de negócios". No final da reunião terá sido conseguido um acordo provisório que vai ser agora analisado e votado pelos sindicatos, conseguindo um adiamento da situação "durante várias semanas".

"Os trabalhadores dos caminhos-de-ferro vão ser aumentados, vão ter melhorias das condições de trabalho e menos preocupações no que diz respeito aos custos relacionados com a saúde. Tudo foi conseguido a custo", disse Biden.

Empresas ferroviárias vão poder recrutar mais trabalhadores

"O acordo é também uma vitória para as empresas ferroviárias, que podem recrutar mais trabalhadores para um setor que vai continuar a fazer parte da espinha dorsal da economia norte-americana nas próximas décadas", acrescentou. A ameaça de paralisação dos comboios colocou Biden numa posição política delicada porque a greve poderia afetar as eleições de meio de mandato.

O chefe de Estado receava que a ausência de um acordo que envolve 12 sindicatos podia provocar a interrupção no transporte de alimentos e de combustíveis em todo o país. Além das licenças médicas, regalias em casos de saúde e aumentos salariais para 115.000 trabalhadores ferroviários sindicalizados, as ramificações da crise poderiam ter-se estendido à rede de transportes que mantém as fábricas em funcionamento assim como as linhas de abastecimento alimentar, a nível nacional.

Biden enfrentou o mesmo tipo de situação que afetou o Presidente Theodore Roosevelt, em 1902, com a crise do carvão e Harry Truman em 1952 com o aço. As ferrovias foram tão importantes durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que o chefe de Estado Woodrow Wilson nacionalizou temporariamente o setor para manter o fluxo de mercadorias e evitar greves.

Republicanos tentam aprovar nova lei de modo a “evitar uma paralisação”

Na quarta-feira, aproveitando a oportunidade política, os republicanos do Senado mobilizaram-se para aprovar uma lei com o fim de impor termos contratuais aos sindicatos e às empresas ferroviárias no sentido de se "evitar uma paralisação". Os democratas, que controlam as duas câmaras no Congresso, bloquearam a proposta dos republicanos.

Na Casa Branca, assessores consultados pela Associated Press, nas últimas horas, não veem "contradição" entre a "ligação" de Biden aos sindicatos e o desejo de evitar uma greve. Os assessores referem que a importância que Biden confere aos sindicatos reflete-se no aumento de 56% nos pedidos de representação sindical junto do Conselho Nacional de Relações Laborais (National Labor Relations Board) durante o corrente ano fiscal.

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