Mundo

Protagonista do famoso podcast "Serial" vai ser libertado 20 anos depois

Protagonista do famoso podcast "Serial" vai ser libertado 20 anos depois
JONATHAN ERNST
Adnan Syed foi condenado a prisão perpétua pelo assassinado da ex-namorada. Uma investigação recente identificou novas evidências que minam a decisão judicial tomada em 2000.

A história de Adnan Syed ficou conhecida mundialmente através do podcast “Serial”: um jovem de 17 anos foi condenado, em 1999, por ter assassinado a ex-namorada Hae Min Lee - que foi estrangulada e enterrada num parque da cidade. Mais de 20 anos depois, o tribunal ordenou a libertação do jovem depois de ter anulado a sua condenação.

Aos 41 anos, e depois de ter passado mais de 20 anos na prisão, a juíza do tribunal de Baltimore Melissa Phinn decidiu que o Estado violou a obrigação legal de compartilhar provas com a defesa do arguido.

O Estado terá agora de decidir se vai avançar com a data para um novo julgamento ou se o caso será arquivado – o que acontecerá dentro de 30 dias. Adnan Syed irá ficar em prisão domiciliária com monitorização de localização através de GPS.

Uma longa investigação conduzida pela defesa de Adnan Syed afirma ter descoberto novas evidências que minam a condenação a prisão perpétua de que o jovem foi alvo em 2000. Entre as evidências estão dados de telemóvel defeituosos, relatos de testemunhas não confiáveis e o facto da investigação ter sido conduzida por um detetive potencialmente tendencioso. Por essas razões, os procuradores entregaram, na semana passada, uma moção em tribunal.

A referida investigação “revelou informações desconhecidas e novos desenvolvidas sobre dois suspeitos alternativos, bem como dados não confiáveis ​​da torre de rede móvel, disse a procuradora do Estado Marilyn Mosby em um comunicado à imprensa na semana passada

Cinco anos depois da morte da jovem de 18 anos, o processo judicial de Adnan Syed ganhou grande notoriedade através do podcast “Serial”, da autoria de Sarah Koenig, antiga jornalista do Baltimore Sun. Em 12 episódios, a jornalista analisou a fundo o assassinato de Hae Min Lee, as provas que levaram à condenação do ex-namorado e as testemunhas consideradas.

O trabalho jornalístico levantou questões sobre as evidências que levaram à condenação de Adnan Syed – que sempre afirmou estar inocente – e o caso acabou por voltar aos tribunais em 2016 com o tribunal de primeira instância a afirmar que a advogada de defesa, Cristina Gutierrez – que morreu em 2004 –, falhou ao não investigar o álibi de uma testemunha.

Vários recursos depois, o tribunal de mais alta instância de Maryland negou um novo julgamento em 2019. Por outro lado, o Tribunal de Recurso concordou o tribunal de primeira instância, afirmando a decisão da advogada de Adnan Syed prejudicou o caso. Mas o Supremo Tribunal dos Estados Unidos recusou-se a reabrir o processo.

Últimas Notícias
Mais Vistos