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Oposição grega acusa Governo de "encobrir" escândalo

Primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.
Primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.
Chesnot
Líder social-democrata lamentou a ausência de "transparência" e um "inquérito aprofundado" por parte da comissão de inquérito parlamentar.

O deputado europeu Nikos Androulakis, cujo telefone foi colocado sob escuta pelos serviços de informações grego, denunciou esta sexta-feira um inquérito que considera destinado a "encobrir" um escândalo que atinge o Governo conservador de Kyriakos Mitsotakis.

"Estou desapontado pela facto de a vossa comissão [parlamentar] ter feito muito pouco para descobrir a verdade e muito mais para a encobrir", lamentou Nikos Androulakis, líder do Pasok-Kinal (Movimento socialista pan-helénico, sociais-democratas), no decurso da sua audição perante a comissão de inquérito parlamentar especial e que foi designada após as revelações do já designado "Watergate grego".

"Em vez de aproveitarem a ocasião e de protegerem a nossa democracia, permitiram que os responsáveis deste caso mórbido permaneçam imunes e sem controlo", disse Androulakis, dirigindo-se aos eleitos da maioria de direita que integram a comissão, indicaram fontes do seu partido citadas pela agência noticiosa AFP.

O líder social-democrata também lamentou a ausência de "transparência" e um "inquérito aprofundado" por parte desta comissão, que designadamente não questionou o primeiro-ministro de Kyriakos Mitsotakis, de quem dependem diretamente os serviços de informações EYP.

O responsável político também manifestou a "vergonha" de ter sido considerado "um perigo nacional" quando estava a ser vigiado.

Nikos Androulakis revelou em julho que o seu telefone portátil foi alvo do programa de espionagem Predator, e que implicou duas importantes demissões no círculo próximo de Mitsotakis.

O chefe do Governo reconheceu que o deputado europeu estava a ser vigiado pelo EYP mas negou a "utilização ou compra" do programa Predator, de origem israelita, pelo Estado grego.

Este caso, que está a provocar um forte incómodo ao Governo da direita grega, junta-se às acusações dois jornalistas, que afirmam terem também sido vigiados pelo EYP.

Em Bruxelas, uma comissão de inquérito do Parlamento europeu criada após denúncias de vigilância como características semelhantes e dirigidas a responsáveis europeus, indicou que vai analisar em breve este caso.

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