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Acusado em acidente mortal de comboio em Espanha atribui culpa ao maquinista

Acusado em acidente mortal de comboio em Espanha atribui culpa ao maquinista
Pablo Blazquez Dominguez

Um dos acusados no acidente de comboio em Espanha em que morreram 80 pessoas em 2013 atribuiu a culpa do descarrilamento ao maquinista.

Um dos acusados no acidente de comboio em Espanha em que morreram 80 pessoas em 2013 atribuiu, esta quinta-feira, a culpa do descarrilamento ao maquinista e rejeitou falhas na sinalização da linha.

Este caso começou a ser julgado este mês em Santiago de Compostela, na Galiza (norte de Espanha), e há duas pessoas acusadas pela morte de 80 pessoas, o maquinista do comboio, Francisco José Garzón Amo, e Andrés Cortabitarte, o responsável pela segurança na circulação ferroviária da empresa Adif, gestora da linha onde ocorreu o acidente.

Cortabitarte foi, esta quinta-feira, ouvido pelo tribunal e assegurou que a linha era segura e sem falhas de sinalização, ao contrário do que invocou o maquinista, na semana passada, na primeira audição do julgamento.

"A causa do acidente foi o incumprimento do maquinista", afirmou.

Para Cortabiarte, o maquinista distraiu-se com um telefonema de mais de um minuto que não deveria ter atendido, dado o troço delicado da linha em que estava, e não travou a tempo para entrar na curva onde o comboio descarrilou.

O acusado garantiu que o desenho e sinalização da curva cumpriam todas as regras e permitiam a passagem de um comboio a uma velocidade entre 80 e 160 quilómetros por hora (km/hora), mas o acidente ocorreu quando o maquinista ia a mais de 190.

Cortabiarte argumentou com os milhares de comboios que já tinham circulado naquela linha sem problemas e sem queixas antes do acidente e acrescentou que o próprio maquinista já tinha por ali passado e tinha experiência suficiente para evitar o descarrilamento.

"A linha era 100% segura" e na rede geral ferroviária espanhola "há 1.800 curvas com essas características ou ainda piores", afirmou.

O comboio de alta velocidade que Francisco José Garzón Amo conduzia em 24 de julho de 2013 descarrilou numa curva à entrada da cidade de Santiago de Compostela e embateu numa parede de betão quando seguia a 191 quilómetros por hora.

O maquinista denunciou na semana passada as falhas de sinalização na linha ferroviária, na data do acidente.

"Não havia nenhum sinal para restringir a velocidade. Não havia nenhuma limitação, nem nenhum sinal, nem nenhuma baliza. Não havia nada de nada", disse o maquinista, que testemunhou durante uma hora e chorou por diversas vezes.

Segundo afirmou, não havia sinalização para uma redução faseada da velocidade até chegar à curva fatal, onde estava colocado, subitamente, um aviso de 80 km/h.

Questionado sobre se, esta quinta-feira, com os meios técnicos e sinalização aplicados entretanto naquela via, seria possível ocorrer o mesmo acidente, respondeu que "não, impossível", mas afirmou que esses sistemas não são novos e já existiam há nove anos, só não tinham sido adotados naquela linha ferroviária.

O maquinista disse ainda que não tinha tido formação na via em que ocorreu o acidente e admitiu ter perdido "a consciência de localização" quando recebeu uma chamada de serviço, que as regras o obrigavam a atender, acreditando estar num túnel anterior àquele em que estava quando o comboio se aproximou da curva do acidente.

Andrés Cortabiarte e Francisco José Garzon Armo estão acusados do homicídio de 80 pessoas por imprudência profissional, por 145 lesões pelo mesmo motivo e por um crime de danos.

O Ministério Público pede quatro anos de prisão para cada um dos acusados, a proibição de o maquinista exercer a profissão durante o mesmo tempo de condenação e a proibição de Andrés Cortabitarte exercer qualquer profissão que implique gestão, segurança ou responsabilidade deste tipo de infraestruturas.

Em paralelo, o Ministério Público pede mais de 57,8 milhões de euros para reparação de danos e prejuízos.

O julgamento do "caso Alvia", o nome da empresa de comboios que assegurava a ligação, entre Madrid e Santiago de Compostela, vai demorar, previsivelmente, nove meses, por terem sido aceites 522 testemunhas e declarações de cerca de 150 peritos.

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