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General iraniano reconhece mais de 300 mortes durante protestos

General iraniano reconhece mais de 300 mortes durante protestos
WANA NEWS AGENCY

Uma estimativa menor do que o número relatado pela ONG Iran Human Rights.

Um general iraniano reconheceu a morte de mais de 300 pessoas durante os protestos que decorrem em todo o país em defesa dos direitos humanos, sendo as primeiras declarações oficiais sobre o número de baixas em dois meses.

Esta estimativa é consideravelmente menor do que o número relatado pela organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights, um grupo com sede nos EUA que acompanha de perto os protestos desde que estes eclodiram após a morte de Mahsa Amini.

O grupo ativista refere que 451 manifestantes e 60 elementos das forças de segurança foram mortos desde o início dos distúrbios e que mais de 18.000 pessoas foram detidas.

Os protestos em todo o país foram desencadeados pela morte desta jovem, mas rapidamente se transformaram em apelos à queda da teocracia islâmica que governa o Irão desde a revolução de 1979.

O general Amir Ali Hajizadeh, comandante da divisão aeroespacial da Guarda Revolucionária, corpo paramilitar do Irão, adiantou a um site próximo desta força de segurança interna que mais de 300 pessoas foram mortas, incluindo "mártires", uma aparente referência às forças de segurança.

A mesma fonte também sugeriu que muitos dos mortos eram iranianos comuns não envolvidos nos protestos.

Hajizadeh não forneceu um número exato ou revelou quais os dados que sustentam a sua estimativa.

Este comandante reiterou a alegação oficial de que os protestos foram fomentados por inimigos do Irão, incluindo países ocidentais e a Arábia Saudita, sem fornecer provas.

No entanto, os manifestantes dizem estar fartos de décadas de repressão social e política e negam ter qualquer agenda estrangeira.

Os protestos se espalharam por todo o país e atraíram o apoio de artistas, atletas e outras figuras públicas.

Os protestos, agora no seu terceiro mês, enfrentaram uma repressão brutal das forças de segurança iranianas que utilizaram munições reais, balas de borracha e gás lacrimogéneo para reprimir as manifestações.

O Governo do Irão anunciou que não vai cooperar com a missão independente da ONU que se prepara para investigar as violações contra as liberdades fundamentais no país após a morte da jovem Mahsa Amini.

"O Irão não vai cooperar de nenhuma forma com a missão sobre supostos problemas com os direitos humanos", disse em conferência de imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Naser Kanani.

"Teerão condena o impulsivo uso das questões sobre direitos humanos contra nações independentes", sublinhou o porta-voz diplomático iraniano.

A resolução estabelece a criação de uma missão independente de investigação que vai ter como objetivo "recolher e analisar provas" de violações dos direitos humanos na sequência da repressão.

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