Opinião

Os estudos sérios ... E os outros 

Michael Kooren

De acordo com muitos 'estudos' eu devo ser infeliz e restam-me poucos anos de vida.

Eu e todos aqueles que, como eu, não bebem vinho nem tomam café.

Como, por exemplo, as crianças.

O que me espanta é que muitas pessoas nem pensem nisto quando aceitam as conclusões dos tais 'estudos' como sendo verdades absolutas e os propaguem em orgãos de informação e pelas redes sociais.

Claro que há milhares de estudos sérios e que nos servem para tomarmos decisões que, felizmente, nos ajudam a vivermos melhor e mais tempo.

A obrigação de qualquer jornalista, quando tem de escrever sobre um estudo, é a mesma que deve ter perante qualquer outra informação.

Avaliar a veracidade dos factos apresentados, a idoneidade das fontes e procurar um contraditório ou, pelo menos, perceber se há falhas nos dados.

O que acontece com os estudos sobre consumos é que, quase sempre, são pagos por quem fabrica ou comercializa, os produtos que são analisados.

E, como qualquer cientista poderá corroborar, basta que que se analise se um determinado produto tem um efeito positivo para que se conclua que tem.

Sem que, por vezes, se analise se terá um efeito negativo ou, até, se será relevante.

Como quando estamos doentes.

O médico pede análises ao que conhece e aos males mais conhecidos.

O resultado pode ser negativo e a pessoa continuar doente.

Porque, simplesmente, não se procurou a causa da maleita.

Ou seja, encontra-se o que se procura.