Opinião

Se a esperança pudesse salvar

Os pais de Julen, José Rosello e Victoria Garcia

Alex Zea

Já se sabia que não havia qualquer esperança.

Que o bebé não estava, seguramente, vivo.

Uma criança de 2 anos não teria capacidade de sobrevivência, sozinha, num poço a mais de 100 metros de profundidade.

Sabiam as autoridades e sabíamos nós, os que escrevemos todos os dias sobre os trabalhos de resgate.

Se fossem adultos, teríamos reportado sobre as expectativas, teriam sido ouvidos especialistas, teriam sido lembrados os casos dos mineiros, que sobreviveram semanas e semanas debaixo de terra.

Mas neste caso, não escrever sobre o que já era óbvio era a única forma de manter, ainda, algum resquício de esperança num eventual milagre.
Infelizmente, a realidade revelou que Julen não sobreviveu.

Haverá conclusões das investigações e serão apontados responsáveis e alguém, eventualmente, será acusado e, quem sabe, condenado.

Mas, apesar de tudo isso ser justo e muito importante, não é nada face à tragédia da morte de um bebé que caiu num poço, quando brincava, e levava na mão um saquinho de plástico com guloseimas.

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    15:21