Opinião

Tanto dinheiro! Tão mal gasto, infelizmente!

Ricardo Moraes

Morreram 10 miúdos. Tinham entre 14 e 16 anos. Arthur Vinícius, o primeiro a ser sepultado, foi enterrado no dia em que fazia 15 anos.


Eram crianças que tinham um sonho - virem a ser os melhores do mundo num desporto que rende milhões a quem o gere e que, se os miúdos forem bons, pode tirar as famílias da miséria.


E, foi talvez por isso, que os pais e mães daqueles meninos, os entregaram ao cuidado de um dos maiores clubes de futebol do mundo. Confiaram os filhos a quem poderia fazer deles heróis de massas, exemplos para tantos outros e dar-lhes um futuro garantido.


Só que, de acordo com os jornais brasileiros, o clube - que vende jogadores a milhões de dólares; que ganha outros milhões em patrocínios e venda de merchandise, não teve dinheiro para criar instalações seguras para albergar as crianças.


Os miúdos dormiam numa espécie de contentores que, ao que parece, nem sequer tinham sido aprovados pela fiscalização feita pelos bombeiros. Ou seja, que não tinham passado as várias inspeções sobre normas anti-incêndio.


Há qualquer coisa de incompreensível em todas as tragédias, claro. Mas, há algumas em que, à incompreensão se tem de juntar a indignação.

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