Opinião

Rio, Costa, o fim do centrão e a falta que ele faz

Rio foi a votos e perdeu. O PSD teve o pior resultado de sempre. O que é preocupante, por várias razões.

Primeiro, porque o país, para manter equilíbrios e alternativas válidas, precisa de uma oposição forte, que traga propostas alternativas, aponte outro caminho e explique como pode fazer diferente, senão melhor;

Segundo, porque a força do PSD, um partido interclassista e representante de uma parte da sociedade que se revê na social democracia, é (era?) o contraponto à esquerda e ao socialismo democrático.

Os dois grandes blocos que partem do centro (moderado) para as franjas, tinham, até há poucos anos, 70 a 80 por cento dos votos. Nesta eleição, que não serve de barómetro mas dá indicadores importantes, PSD e PS juntos não passam dos 55 por cento.

O centrão está a diminuir. O que significa que há mais e mais variada escolha, o que é bom, mas também quer dizer que a moderação, o equilíbrio, a representatividade clássica de uma grande parte da população está a pulverizar-se.

Geringonças e outros entendimentos são, obviamente, saudáveis para o sistema democrático, e funcionam como verdadeira representação popular – os eleitores escolhem ser governados a cada momento por uma geometria variável.

Mas o lado mais preocupante nestas contas é a possível fuga para extremismos, radicalismos, partidos que emergem como moda, partidos que recolhem votos de protesto e pouco mais.

A responsabilidade da diminuição do "centrão" é, antes de mais, do próprio centrão. Porque durante décadas esteve confortável no poder, distribuindo lugares, benesses e tachos aos seus, utilizando institutos, empresas públicas e semipúblicas como centro de emprego para ex ministros, ex deputados, e altos dirigentes que precisam de ser acomodados dentro de um sistema que girou à volta dos mesmos.

Prefiro, ainda assim, que 70 ou 80 por cento dos portugueses escolham o centrão equilibrado e moderado do que as franjas extremistas e radicais, tribunícias e demagógicas, pouco mais que grilos falantes do sistema mas que, em caso de um dia terem de governar, acabariam por se comportar exactamente como se comportam "os outros" (podia dar aqui o exemplo de Tsipras e da Grécia; a governação da coligação radical é muito semelhante à dos partidos que a antecederam.

De tal forma que a direita grega ganhou estas eleições e Tsipras quer, outra vez, eleições).

E o que tem Rio a ver com tudo isto?

Rio não mostrou alternativa; não construiu propostas que merecessem a confiança dos portugueses. Não se mostrou como futuro primeiro ministro; não convenceu os eleitores que é capaz de fazer diferente e melhor do que António Costa.

Rio teve uma oportunidade de fazer isto tudo: foi quando Manuela Ferreira Leite acabou líder do partido.

Nessa altura, Rio deveria ter assumido o partido e ido à luta contra Sócrates.

Não o fez e deixou passar a oportunidade.

Agora, é um líder a prazo.

Internamente vai ter paz até 6 de Outubro.

A sete, no dia seguinte, será uma noite de facas longas dentro do PSD e o partido se encarregará de lhe indicar a porta de saída.

Porque pedir uma reforma da justiça, clamar pela descentralização e proclamar seriedade e rigor não chega.

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