Opinião

Finalmente, um Óscar para David Lynch!

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

É mesmo verdade: David Lynch vai ser distinguido com uma estatueta dourada. O realizador de “Veludo Azul” integra a lista de personalidades que, este ano, irão receber os Óscares honorários atribuídos pela Academia de Hollywood.

Muita água há-correr (com muitos e, esperemos, bons filmes a estrear) até que sejam entregues os próximos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, em cerimónia agendada para o dia 9 de Fevereiro de 2020. O certo é que podemos garantir que David Lynch vai mesmo receber um Óscar. Finalmente!

Isto porque a Academia já divulgou os nomes das quatro personalidades que serão distinguidas com os seus prémios honorários, os chamados “Governors Awards” (tendo em conta que a respectiva atribuição não decorre de uma votação geral, mas sim de uma decisão anualmente tomada pelo corpo dirigente, isto é, o Board of Governors). David Lynch integra essa lista de honra, a par da cineasta italiana Lina Wertmüller e dos actores americanos Wes Studi e Geena Davis.

Lina Wertmüller foi a primeira mulher a receber uma nomeação para o Óscar de melhor realização com o filme “Pasqualino das Sete Beldades” (1975) com que, aliás, também foi nomeada na categoria de argumento original. Studi é um actor de descendência Cherokee, célebre pelas suas composições de personagens nativas americanas, em cuja filmografia encontramos títulos como “Danças com Lobos” (1990), “O Último dos Moicanos” (1992) ou “Avatar” (2009).

Nesta lista, Geena Davis é a única “oscarizada”, tendo ganho uma estatueta dourada, na categoria de melhor actriz secundária, pelo seu trabalho em “O Turista Acidental” (1988). Será para ela o prémio humanitário Jean Hersholt, justificado, em particular, pelo seu empenho na defesa da igualdade de géneros no espaço cinematográfico e televisivo.

Quanto a David Lynch, o menos que se pode dizer é que — desde a revelação com “Eraserhead” (1977) até acontecimentos históricos como a série televisiva “Twin Peaks” (primeiro em 1991, depois em 2017), passando por títulos como “O Homem Elefante” (1980), “Veludo Azul” (1986), “Um Coração Selvagem” (1990), “Mullholland Drive” (2001) ou “Inland Empire” (2006) — se trata de uma das mais originais, e também mais influentes, personalidades do cinema contemporâneo. Nele encontramos uma envolvente, muitas vezes perturbante, dimensão poética, cruzada com um invulgar sentido da experimentação.

Vale a pena lembrar que, embora não sendo detentor de qualquer Óscar competitivo, Lynch tem quatro nomeações no seu historial: para melhor realizador por “O Homem Elefante”, “Veludo Azul” e “Mulholland Drive”; para melhor argumento adaptado por “O Homem Elefante”. Como já é tradição, os “Governor Awards” funcionarão como abertura oficial da temporada dos Óscares — a cerimónia ocorrerá no próximo dia 27 de Outubro, em Los Angeles, no Ray Dolby Ballroom do Hollywood & Highland Center.