Opinião

A lista

Pedro Nunes

A lista é muito mais importante e dá muito mais trabalho do que o que possa parecer.

A lista tem de ter:

caciques e gente que pense;

notáveis e homens do aparelho;

'yes mans' e alguns opositores para disfarçar;

presidentes de concelhia e da distrital;

notáveis pára-quedistas, candidatos por distritos onde nunca foram;

membros do governo e do partido em dose suficiente para garantir salário de deputado caso se perca a eleição;

mulheres suficientes para preencher a quota, o que deixa de fora os homens habituados a controlar listas sem género;

arrivistas e malta endinheirada, que ajuda a pagar campanhas locais e nacionais e que tem a ambição de ser deputado por uma questão de estatuto, facilidade nos negócios ou apenas ambição pessoal;

filhos de comendadores e empresários, cujos pais são importantes no apoio e suporte ao partido nas respectivas terras;

familares vários, desde irmãos, filhos, mulheres, tios, primos, cunhados, ex namoradas e afilhados dos membros do partido e do governo já referidos anteriormente.

Jovens em geral, não por nenhuma outra razão objectiva a não ser o facto de serem jovens;

Depois de arrumada toda esta tralha, é preciso ordenar a lista por lugares elegíveis;

Tarefa que dá muito trabalho; a base para fazer as contas de quem fica de certeza acima, quem fica abaixo e quem está na zona cinzenta da eleição é feita através do resultado das últimas eleições;

Arrumados os elegíveis e os da zona cinzenta, e os que já sabem que não serão eleitos, o drama continua:

Ficar em 13º ou em 17º numa lista onde só entram oito pode levar a disputas territoriais, lóbi, pressão junto dos já referidos caciques e 'yes mans' para subir mais um lugar.

Com todos estes problemas resolvidos, quantos lugares elegíveis sobram para os "homens bons" da terra, os que têm trabalho feito e provas dadas fora da política e do partido, os especialistas de diversas áreas que podem acrescentar valor, os que conhecem o território e têm ideias para o país, os livre-pensadores e independentes, os que não consideram a nobre arte da política como uma profissão, um tacho ou uma carreira?